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SP promove casamento gay coletivo e une 47 casais

 Em parceria com o governo do Estado de São Paulo e com a Secretaria de Justiça, o Centro de Tradições Nordestinas (CTN) organizou na noite desta sexta-feira um casamento gay coletivo, no qual 47 casais oficializaram suas uniões homoafetivas.

 

Gratuito, o ato ecumênico aconteceu na sede do CTN, zona norte da capital paulista, e foi realizado com a presença da pastora evangélica Lanna Holder e do reverendo Cristiano Valério, da Igreja da Comunidade Metropolitana.

 

A ideia de registrar a união de homossexuais partiu do CTN, que abriu inscrições e selecionou 50 casais da cidade de São Paulo. Com a ajuda da Secretaria de Justiça e do 29º Cartório de Registro Civil foi possível agilizar a documentação de cada um dos parceiros. Ao final do processo sobraram 47 casais, já que um desistiu da oficialização e outros dois tiveram problemas com o registro.

 

“A comunidade homossexual é muito presente aqui também no Centro de Tradições Nordestinas. A gente tem observado que a comunidade tem mudado. Então nada mais justo do que esse reconhecimento que eles já pleiteiam. A celebração ecumênica hoje marca uma conquista por esse direito, por essa igualdade, que é um marco sim para o reconhecimento desses cidadãos”, afirmou a diretora-presidente, Renata Abreu.

 

O primeiro casal a registrar a união foi Priscila Pires da Silva, de 24 anos, e Kathrein Marrechi, de 31 anos, que estavam juntas há dois anos. Depois de conseguir a oficialização da união, elas agora pretendem entrar na Justiça para obter o direito ao casamento civil. “Pioneiras, mas acredito que ainda há muito chão pela frente na conquista dos nossos direitos. Nós vamos recorrer para conseguiu o casamento civil, esse é o primeiro passo”, explica Priscila.

 

As duas nunca tinham tido um relacionamento homossexual antes de se conhecerem. Kathrein conta que encontrou Priscila quando estava se separando de um homem. Em seu relacionamento heterossexual, ela teve um filho, que hoje tem 9 anos e ainda tem dificuldade em aceitar a opção da mãe.

 

“Eu conheci ela através de uma tia quando estava me separando. Tenho um filho de 9 anos, que mora com o pai. Ele sabe, mas não aceita muito. O pior preconceito que a gente recebe é dentro de casa. A família dela aceita melhor. Não sei se (o casamento) pode mudar isso. É a minha vida, estou feliz”, afirmou.
O deputado federal Jean Wyllys (Psol) esteve presente para apoiar o ato. Ele minimizou o fato de participar de um evento apoiado pelo governo do Estado, que é comando por Geraldo Alckmin (PSDB-SP). “Não tem que ter partidarismo. O PSDB nunca foi um partido que fechou as portas para a defesa das liberdades individuais. Esta pauta não é só da esquerda”, disse.

 

O deputado aproveitou a ocasião para criticar os estados onde ainda não é possível converter a união estável homoafetiva em casamento civil. “Deixar para os homossexuais só a união estável é uma sorte de gueto. Nós queremos os mesmos direitos com os mesmos nomes. Tem um efeito de reconhecimento social. A conversão em casamento promove um reconhecimento social e acaba com o preconceito”, argumentou.

 

 

Terra

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