Por pbagora.com.br

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (CE), e o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) protocolaram às 17h45 desta terça-feira (28), no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, três representações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Uma delas trata da atuação de José Adriano Cordeiro Sarney, neto de Sarney, em operações de crédito consignado para funcionários da Casa; outra pede que se investigue a ligação de Sarney com os chamados atos secretos; e a terceira requer a apuração de supostas irregularidades na Fundação José Sarney e, ainda, da suposta falta com a verdade na afirmação do presidente de que não tem ingerência na administração da entidade.

Segundo Sérgio Guerra, a divisão das acusações contra Sarney em três blocos “atendeu a requisitos técnicos”. Afonso Ribeiro, advogado da Executiva Nacional do PSDB, presente ao ato de entrega das representações, explicou que, ao dividir a ofensiva em três frentes, o partido almejou a possibilidade de que uma delas, pelo menos, possa ser relatada por parlamentar independente. Nem o PSDB, autor das representações, nem o PMDB, partido do representado, podem ter senadores na relatoria desses casos, já que são instâncias envolvidas.

Para prosseguirem, entretanto, as representações dependem do acolhimento do presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ). E, de acordo com a avaliação de Alvaro Dias, as perspectivas não são nada animadoras para os que pretendem processar Sarney.

– Esse conselho foi montado de forma estratégica – disse, com pessimismo, o parlamentar.

No entender de Afonso Ribeiro, a decisão de Paulo Duque será subjetiva, mas o advogado afirma que as representações estão embasadas juridicamente na existência de fatos documentados ocorridos durante o mandato do senador e na legitimidade do PSDB para representar. Foram anexados aos autos, por exemplo, as gravações em que integrantes da família Sarney, e o próprio senador acusado, dialogam sobre contatos com o ex-diretor geral da Casa Agaciel Maia com vistas ao preenchimento de cargos em comissão na Casa. Os áudios foram cedidos pelo grupo jornalístico O Estado de S.Paulo.

– Estamos cumprindo o nosso dever e atendendo às cobranças da sociedade – disse Sérgio Guerra, logo após protocolar as representações.

O presidente do PSDB disse que o partido não aceita ameaças, conforme a imprensa, partidas do PMDB. E salientou que o líder da legenda no Senado, Arthur Virgílio (AM), solicitou a apuração do empréstimo feito a ele por Agaciel Maia durante uma viagem ao exterior.

Alvaro Dias, por outro lado, rejeitou declarações atribuídas a Sarney, segundo as quais, o crime de nepotismo teria sido cometido por todos os senadores.

– Primeiramente, é preciso ver quem praticou nepotismo. De todo modo, não estamos analisando só isso aqui, mas um conjunto de atos. Além do que, a responsabilidade dele como presidente da Casa é maior. Tanto assim que a crise passou de ética a política porque as irregularidades convergem para Sarney – ponderou Alvaro Dias.

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Foto: Nelson Oliveira/Agência Senado

Agência Senado