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Opinião: o bárbaro assassinato do menino Rhuan, o silêncio da grande mídia e do movimento LGBT

Antes que me acusem de homofóbico, machista ou sectário, digo que não. Os que me conhecem sabem meu caráter, minha índole. Fiquei feliz com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em reconhecer a criminalização da homofobia na Lei de Racismo. Estamos em um país laico, e religião e Estado não se entrelaçam. 

O colegiado, para dirimir dúvidas,  fixou tese no sentido de que a repressão penal à prática da homofobia "não alcança nem restringe o exercício da liberdade religiosa", desde que as manifestações não configurem discurso de ódio.

Ponto parágrafo, agora vou discorrer sobre a morte do menino Rhuan Maicon da Silva Castro, de 9 anos. Ele foi decapitado ainda vivo, apontou laudo divulgado pela Polícia Civil do Distrito Federal. Além do golpe inicial, no peito, a criança ainda tomou mais 11 facadas nas costas.

Rhuan foi morto e esquartejado pela própria mãe em 31 de maio, em Samambaia, região administrativa do Distrito Federal. Rosana Auri da Silva Cândido, de 27 anos, e sua companheira Kacyla Pryscila Santiago Damasceno Pessoa, de 28, confessaram ter cometido o crime e estão presas

Ainda há outro detalhe chocante no caso. Há cerca de um ano, Rhuan teve o pênis cortado pelas mulheres. O procedimento foi feito em casa e, desde então, ele não foi a uma unidade de saúde. Aos agentes, as acusadas contaram que o menino queria ser uma garota e, por isso, o teriam mutilado.
Agora a pergunta que não quer calar. Qual o motivo da chamada grande mídia não ter divulgado o caso? Dos movimentos sociais LGBT não se manifestarem oficialmente sobre esse horrendo assassinato? Os Direitos Humanos murcharem como uma rosa já sem vida e não emitirem uma nota contundente? 

Casos como o assassinato da menina Isabella Nardoni, em 29 de março de 2008, atraiu holofotes do Brasil inteiro e até houve pedido para a Justiça transmitir ao vivo o julgamento. Parte da repercussão se explica: o júri entendeu que os autores do crime foram o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, condenados a 30 e 26 anos de cadeia, respectivamente. 

E o que dizer do caso de Suzane Von Richthofen, ou do goleiro Bruno? Para mim há uma explicação mais que plausível. Parte da sociedade abraçou um pacto com a ideologia de gênero e, para não “atrasar” suas pautas, que são legítimas, preferiram o silêncio pelo simples fato das executoras do garoto Rhuan serem lésbicas.

Havia uma votação em curso no STF sobre reconhecer a criminalização da homofobia na Lei de Racismo. Há o embate ridículo e aterrador envolvendo a chamada direita reacionária e a esquerda radical, então para que tocar em um tema tão delicado para os que pensam em seus próprios umbigos?

A “direitona” bem que tentou polemizar o caso. Mas nunca esteve preocupada com a dor e o sofrimento que o pequeno  Rhuan sofreu ao logo da sua curta vida. Até um filho de Bolsonaro, que prefiro não citar seu nome para não oferecer “estatus” a ele, foi para as mídias sociais procurar holofotes.

E a “esquerdona”? Essa entrou muda e saiu calada. Não vi um só cartaz em todo o Brasil falando sobre o caso. Não vi mulher “parir um aborto” fictício para lembrar o assassinato da criança. Nem "As Raparigas de Chico" levantarem uma frase ou poema. Mas o cerne da questão é que houve uma morte horrenda; morte não, assassinato de uma criança, praticado por dois seres DESUMANOS abomináveis.

Para mim pouco importa a sexualidade, ideologia de gênero ou identidade de gênero. Existiu sim, um crime bárbaro contra um indefeso que movimentos ditos progressistas, que lutam pelas minorias, se acovardarem, em consonância com a imprensa, para não macular seus avanços sociais e pautas próprias dos seus respectivos interesses.

 Aqui eu registro minha indignação, repito, pelo silêncio dos representantes que estão à frente dos movimentos. Mas faz-se evidente que a orientação de cada cidadão ou cidadã é única e exclusiva deles. De resto, a hipocrisia é patente e latente no Brasil.

 

Eliabe Castor
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