Houve um tempo que esses versos, descolados das mentes de Moraes Moreira e Pepeu Gomes nos proporcionavam alegrias. Poesia simples, frases prontas, alto astral imenso. E assim catávamos noutros carnavais: “Quem desce do morro/Não morre no asfalto/Lá vem o Brasil descendo a ladeira/Na bola, no samba, na sola, no salto/Lá vem o Brasil descendo a ladeira…”.

E assim íamos até o garnisé estufar o peito, bater suas asas e saldar o sol com um “cocoricá” rouco e animado. E hoje? Hoje não mais. O Carnaval segue seu destino folião, e o Brasil desce, de fato, a ladeira. Não há mais poesia, e sim loucos atos. Esquerda elege Narciso como símbolo bacana, e direita prefere cérebro atrofiado.

E lá vem o Brasil descendo a ladeira. Desce nas loucuras de Cid numa retroescavadeira. Trator danado, hoje musa do carnaval do cangaço. Cai o país em fosso apertado, Bolsonaro defende miliciano açoitado. Ataca a imprensa, esculacha os coitados, é presidente que come e cospe no prato.

E lá vem o Brasil descendo a ladeira. Ceará abatido, greve ilegal. População sitiada e desesperada. Apelando para a cruz ou pancada de pau. Assassinato triplicado. Morre no morro, ou quem mora no asfalto. E aí vem o país caindo aos pedaços.

“Mimimi” de um lado, “mimimi” do outro, e lá vem o Brasil descendo a ladeira. Machismo cachorro, feminismo exacerbado, e nosso país indo para o buraco.

Damares de um lado, rebola no prato. Em suas palavras, entorna o caldo. Rui Costa é “bandido”, e os que mataram Marielle estão bem no retrato. Lá vem o Brasil, esse está à venda e barato.

País desigual, virou sacanagem. O Guedes falou, não é esse espaço. Gari come bem, o Dólar “baixou”, doméstica na Disney, AI-5 é o ato. É Lula gritando palavras de ordem, o povo chorando, e nada no prato. Lá vem o Brasil descendo a ladeira abaixo.

Esquerda, direita, um centro esquisito. Farinha sim, parece mesmo saco. Menino de azul, menina de rosa. Na bola, no samba, na sola, no salto, lá vem o Brasil de cabeça pra baixo.

General aqui, vândalo acolá. Gente eu falei, continuo a falar. Não se vota no “demo”, muito menos em palhaço. Ou se elege a coerência, ou vamos para o buraco.

Eliabe Castor
PB Agora

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