Conjunto de negócios baseados no capital intelectual e cultural e na criatividade que gera valor econômico, a economia criativa é a saída encontrada por quem deseja empreender, unindo talento e prazer à necessidade de sobrevivência. Foi nessa perspectiva que duas mulheres na cidade de João Pessoa capital paraibana, cada uma em seu ramo, resolveram sair da zona de conforto para investir no sonho de ter o próprio negócio, seguindo a máxima do escritor Guimarães Rosa, em seu livro Grande Serão Veredas – “O que tem que ser, tem muita força”.

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A Shower Saboaria, pequena empresa de biocosméticos naturais e artesanais é o fruto da história de superação, investimento e dedicação de Manayra Barreto, hoje pequena empresária, que agrega valor a sua marca ao mergulhar seu conhecimento no empreendedorismo de oportunidade – uma demanda que muitas vezes surge de onde menos imaginamos. 

 De forma perspicaz ela aliou ideais  à sua vida e fez a própria economia girar.

Foi em um navio de Cruzeiro, que cortava os mares europeus que Manayra, nascida e criada na pequena Aliança, em Pernambuco, decidiu dar um basta no estilo de vida que estava levando. Embarcada e trabalhando há dois anos em uma grande empresa de cruzeiros, ela conta que viu muita coisa, mas, um dos pontos que mais lhe chamou atenção foi o consumismo desenfreado. Isso a desmotivou.

 A partir daí ela decidiu tomar o rumo da própria vida. Mudou os hábitos de alimentação e consumo, passou a morar em João Pessoa e, de forma embrionária, baseada em um desejo de ressignificar a sua vida, sozinha, colocou a ideia em andamento e fez nascer a Shower Saboaria, com foco em biocosméticos naturais e artesanais.

Na busca por um estilo de vida mais natural e menos consumista, passou a ser vegetariana e produzir os seus próprios produtos de beleza. A nova filosofia de vida lhe inspirou e ela buscou cursos para se aperfeiçoar na área de cosméticos naturais.

Hoje ela é vegana não só na alimentação, mas também nos cosméticos que começou a produzir.

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Manayra expondo seus cosméticos em uma feira criativa (Foto: Arquivo Pessoal)

“Hoje sou vegana na alimentação e no vestuário, além dos cosméticos. Além dessa necessidade particular nasceu em mim também o desejo de ressignificar o banho, com atenção voltada ao meio ambiente. Os danos causados pelos resíduos que vão pelo ralo poluem nossos oceanos e intoxicam os animais marinhos. Para mim esse comprometimento em cuidar o que extraímos da natureza é dever de todos. Estou fazendo a minha parte” declarou.

O primeiro produto desenvolvido foi o desodorante natural cremoso. Manayra explica que a composição sofreu variações ao longo de um ano, já que ela passou a aplicar as técnicas e ingredientes aprendidos nos cursos que realizou.

As dificuldades em colocar um negócio partindo do zero, apenas com um ideal em mente, segundo ela, são grandes. A Shower ainda não é sua fonte principal de renda. Atualmente a pernambucana trabalha em uma empresa de aluguel de carros e utiliza o dinheiro que ganha e as horas que deviam ser de descanso, para empreender e investir no sonho que acredita.

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Produtos da Shower Saboaria (Foto: Arquivo Pessoal)

“Nosso papel como empresa é conscientizar pessoas na escolha dos seus cosméticos. Ensinamos receitas caseiras para a limpeza da pele e da casa, mostramos a importância de cuidar do cliente e valorizá-los. Somos todos por um mundo melhor e mais digno para todos os seres. Testamos em pessoas e não em animais. Utilizamos matérias primas vegetais. Reciclamos e reutilizamos embalagens priorizando ingredientes biodegradáveis. Exalamos natureza” comemora.

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Foi no meio de couros e fivelas, em uma fábrica de Salvador, na Bahia, que Evinha Caroline como gosta de ser chamada, cresceu.

Lá viu e absorveu o cuidado que coloca em cada peça que produz, agora em João Pessoa, no Ateliê La Pomme.
Empreendedora nata, tendo passado pelo ramo da fotografia antes de enveredar pela papelaria personalizada, Evinha conta que a La Pomme surgiu após o nascimento da sua filha e em meio a um momento conturbado da sua vida.

"Nós tínhamos uma loja de infórmatica que faliu e estávamos com nossa filha recém-nascida, então eu comecei a fazer produtos de papelaria personalizada mas não encarava como um negócio. Então tivemos a oportunidade de nos mudar para Recife para trabalhar com fotografia e depois de um tempo senti a necessidade de realizar um trabalho que me motivasse, que me trouxesse satisfação, porque eu não tinha isso com a fotografia" explica.

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Evinha e o marido e sócio, Eder na entrada do Ateliê La Pomme (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi aí que Evinha fez uma proposta desafiadora para o marido Eder: queria fazer da La Pomme o principal negócio dos dois.

"E aí eu propus a Eder da gente criar um segundo negócio só que a condição era não precisar mais terceirizar aí fomos investindo nos equipamentos e formatando como seria, inicialmente foi online e tudo foi acontecendo. No início foi difícil conciliar os dois negócios e chegou um ponto em que a gente percebeu que não dava mais pra conciliar, na mesma época nós nos mudamos para João Pessoa e hoje a La Pomme é um ateliê de objetos artesanais e autorais, a gente atende o Brasil inteiro além de que hoje eu ajudo outras empreendedoras que tem projetos artesanais a melhorarem os seus processos de produção" revelou.

Quando questionada sobre por qual motivo eles escolheram João Pessoa para morar e consolidar a empresa, Evinha se emociona.

"Sou baiana, meu marido é paulista e morávamos em Recife mas apesar de morar em um bairro tranquilo, o resto da cidade não refletia isso e aí Eder começou a levantar essa ideia de vir pra João Pessoa já que ele gostava do ritmo da cidade. Saímos então em uma viagem sem roteiro e quando eu vi a cor do mar no finzinho de tarde encontrando com o céu me deu vontade ficar, senti uma coisa tão boa, não dá pra explicar".

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Evinha expondo em uma feira em São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)

A indústria criativa estimula a geração de renda, cria empregos e produz receitas de exportação, enquanto promove a diversidade cultural e o desenvolvimento humano. Manayra e Evinha aproveitaram bem a oportunidade e mostram que qualquer um pode empreender, basta ter uma boa ideia e acreditar que ela dará certo.

O empreendedorismo feminino no Brasil

De acordo com pesquisa realizada pelo Serviço Brasiliero de Apoio as Micro e Pequenas empresas (Sebrae), no país existem 24 milhões de mulheres empreendedoras. Se comparado com o total em 2005, quando o país tinha 6,9 milhões de mulheres empreendendo, houve um aumento de 247%.

Além disso, somente em 2018 o Brasil registrou a abertura de empresas mais por mulheres do que por homens, dados estes que confirmam a força do empreendedorismo feminino nos últimos anos.

Confira:

 

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Reportagem e artes: Thatiane Sonally

Revisão: Márcia Dias

Fotos: Arquivo pessoal Shower Saboaria e La Pomme

PB Agora

 


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