Por pbagora.com.br

Feirante Genildo Francisco Moura reclama da queda no movimento na Feira de Caruaru. Por causa da crise econômica mundial, ele quer negociar o ponto de venda de roupas, mas só recebeu uma proposta até agora, com valor bem abaixo do que está pedindo
Caruaru (PE) – “A Feira de Caruaru, faz gosto a gente ver. De tudo que há no mundo, nela tem para vender”. E se de tudo que há no mundo tem no maior centro de comércio popular da América Latina – como diz a letra do caruaruense Onildo Almeida, imortalizada na voz de Luiz Gonzaga, o rei do baião – também há por lá comerciantes reclamando da crise econômica mundial. Eles esperam tempo bom durante a festa de São João para que aumente o movimento nas vendas, que estão fracas desde o mês de janeiro deste ano.

O cordelista José Severino Cristovão, 70 anos, orgulhoso por se sentir uma das pessoas “mais bem informadas do mundo”, diagnosticou o problema. “O ministro do Brasil já tinha avisado. Eu já esperava. Ele disse que não seria só no Brasil”, lembrou, ao mesmo tempo em que oferecia seus cordéis que contam histórias que vão do cangaceiro Lampião ao presidente Juscelino Kubitschek.

Para Genildo Francisco de Moura, 49 anos, há oito anos negociando roupas na feira, a queda nas vendas é a pior que já viu. “Desde quando a crise chegou do estrangeiro, as vendas estão ruins. É a primeira vez que vejo assim, tão ruim”, disse Genildo, que montou a barraca em frente à de propriedade de sua mãe. Em 2010, ela vai completar 40 anos de trabalho na feira, onde comercializa roupas de crianças.

“As pessoas olham, perguntam o preço e não compram. Se elas não compram, como é que a gente pode viajar para o Paraguai para comprar mais mercadorias? As pessoas estão adiando ao máximo as viagens”, comentou Genildo.

Os que vendem mercadorias importadas deixaram de viajar ao Paraguai e passaram a comprar de cooperativas de compras das regiões Sul e Sudeste. “Tem cooperativa de compradores em São Paulo. É uma associação que compra um volume grande de mercadoria. Conseguimos um preço bem acessível, mesmo comprando um volume menor. É uma alternativa”, disse Genildo.

“O preço não é menor do que o que a gente encontra no Paraguai, mas compensa não ter a despesa de viajar. Sem contar que na cooperativa também posso comprar produtos da China”, completou o comerciante.

Quem não trabalha com produtos importadores está sentindo mais os efeitos da crise. Esse é o caso, por exemplo, de Severino Cecílio, que vende mosquiteiros na Avenida Central, um dos pontos mais cobiçados da Feira de Caruaru. Segundo ele, as vendas estão fracas desde o início do ano, o que o deixa cada vez mais desanimado.

Severino está disposto, até mesmo, a parar de trabalhar na feira. Há três meses, resolveu vender o seu ponto. Começou pedindo R$ 37 mil pela pequena loja e depois baixou para R$ 35 mil. Até agora, porém, a única proposta que recebeu foi de R$ 25 mil – R$ 10 mil a menos do que pretende. “Se o comércio estivesse bom, dava para vender até R$ 2 mil por dia. Agora, não consigo vender R$ 600 em três dias”, reclamou.

Além de ser um dos mais importantes pólos comerciais do Nordeste, a Feira de Caruaru é Patrimônio Imaterial do Brasil, tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Foi lá que Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino, começou a vender suas esculturas de barro, que retratam cenas do povo nordestino.

Os comerciantes e artistas que trabalham na feira também costumam dizer que ela é o termômetro da polícia nordestina. Por isso, é comum ouvir dizer por lá que se determinado político “perde na feira, perde em todo Nordeste”. “Aqui a gente nem precisa de pesquisa eleitoral”, gabou-se o cordelista Severino Cristovão.

 

Agência Brasil

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