Aras pede ao STF suspensão de norma do TSE que dá ao órgão ‘superpoderes’ para remover conteúdos

PUBLICIDADE

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu nesta sexta-feira (21) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que suspenda trechos da resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que busca agilizar a retirada de conteúdo com desinformação das redes sociais no período eleitoral.

A resolução foi aprovada na sessão do TSE desta quinta-feira (20). Entre outros pontos, prevê que o TSE pode determinar que redes sociais e campanhas retirem do ar links com fake news em até duas horas.

No pedido ao STF, Aras afirmou que a melhor “vacina” contra a desinformação é a informação. Segundo ele, nenhuma instituição detém o “monopólio” da verdade.

“Nas disputas eleitorais, são, em primeiro lugar, os próprios candidatos e partidos que devem, diante de ilícitos concretos, provocar a Jurisdição eleitoral, buscando o direito de resposta, que é o mecanismo de reequilíbrio por excelência nas campanhas eleitorais”, disse Aras.

O procurador admite que é necessário aperfeiçoar os instrumentos de combate às fake news, mas sustenta que isso deve ser feito “sem atropelos”.

“Verifica-se que é necessário avançar, buscando um aperfeiçoamento dos instrumentos legais, processuais e técnicos no combate à desinformação na internet, sobretudo no processo eleitoral. Esse aperfeiçoamento, contudo, há de se fazer sem atropelos, no ambiente democraticamente legitimado para essas soluções, que é o parlamento, no momento adequado, em desenvolvimento contínuo de nossas instituições e do nosso processo civilizatório”, afirmou.

O relator do pedido de Aras no STF será o ministro Edson Fachin.

Nesta quinta, na sessão do TSE, o presidente do Tribunal, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que as ocorrências de fake news cresceram em relação ao primeiro turno, o que levou à necessidade de medidas para endurecer o combate a essa prática.

Resolução do TSE

Pela resolução aprovada nesta quinta-feira, o conteúdo falso poderá ser retirado do ar sem a necessidade de múltiplos processos judiciais.

A resolução prevê que:

  • o TSE poderá determinar que as URLs das fake news sejam retiradas do ar em até duas horas (às vésperas da votação, a retirada será em até uma hora);
  • no caso de fake news replicada, o presidente do tribunal poderá estender a decisão de remoção da mentira para todos os conteúdos;
  • o TSE poderá suspender canais que publiquem fake news de forma reiterada;
  • será proibida a propaganda eleitoral paga na internet 48 horas antes do pleito e 24 horas depois.

Pontos contestados pela PGR

Um dos pontos da resolução questionados pela PGR é aquele que prevê que, quando já houver decisão judicial para tirar um conteúdo do ar, não serão necessárias novas deliberações da Justiça para barrar material semelhante.

Segundo Aras, esse item é ilegal, porque concede ao “arbítrio” do TSE reconhecer se os conteúdos analisados são mesmo semelhantes.

” [A medida] ofende a legalidade estrita e tem alto déficit de legitimidade, notadamente porque fundada no arbítrio da Presidência do TSE acerca do que venham a ser ‘situações com idênticos conteúdos’, e porquanto não amparada no duplo grau de jurisdição ou no princípio da colegialidade e do juiz natural”, escreveu Aras.

Outro ponto questionado é a previsão para suspender o acesso a plataformas em caso de reiterados descumprimentos de decisões judiciais.

“Não há razoabilidade em impor, no curso do efetivo atendimento da decisão judicial, a suspensão do acesso aos serviços da plataforma implicada, sob pena de […] confisco de bens sem o devido processo legal”, afirmou o procurador-geral.

Informações do G1

Últimas notícias

Ouça! Vereador levanta tese de impeachment de Bruno; saiba motivo

O vereador Anderson Pila (PSB), líder da bancada de oposição na Câmara Municipal de Campina…

13 de março de 2026

No PSDB, Camila Toscano admite migrar para o MDB para reforçar base de Cícero Lucena

A deputada estadual Camila Toscano (PSD) afirmou, em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, que…

13 de março de 2026

Agora Tem Especialistas chega ao Sertão com articulação de Veneziano com governo Lula

O Senador Veneziano Vital do Rêgo participou nesta sexta-feira (13) da implantação do programa “Agora…

13 de março de 2026

Wilson Filho diz que ainda não recebeu convite para vaga de vice na chapa de Lucas Ribeiro, mas afirma: “Seria gratificante”

O secretário de Educação da Paraíba e deputado estadual licenciado, Wilson Filho (Republicanos), voltou a…

13 de março de 2026

“A decisão mostra que agimos dentro da legalidade”, diz Jackson Alvino após derrota de Nilvan na Justiça

O prefeito de Santa Rita, Jackson Alvino (PP), comemorou, nesta quinta-feira (12) a decisão da…

13 de março de 2026

“Eu fui o maior prejudicado”, desabafa Diego Tavares ao relembrar rompimento de Cícero Lucena com a base governista

O rompimento entre o prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao Governo, Cícero Lucena (PP),…

13 de março de 2026