Sírio-Libanês investe R$ 3,5 milhões em segurança
Hospital mais requisitado entre os políticos brasileiros, o Sírio-Libanês tornou-se referência em discrição e sigilo. Para manter a reputação, o hospital mobiliza uma estrutura capaz de dar invejar aos próprios políticos que ali se internam para tratamento, investindo R$ 3,5 milhões nos últimos cinco anos.
São mais de 500 câmeras de vigilância cobrindo uma área de 10 mil metros quadrados, 250 controladores de acesso e 250 leitores de proximidade. O hospital conta com um sistema de vigilância superior ao de todo o Município de São Paulo, que conta com 270 câmeras de vigilância para uma área de 1.559 quilômetro quadrados, de acordo com a Polícia Militar. Ocupando três quarteirões na Bela Vista, estrutura do Sírio-Libanês é monitorada por cerca de 100 agentes de segurança, todos cadastrados na Polícia Federal, que fazem a vigilância dentro e fora do hospital.
Nos últimos meses, o Sírio-Libanês recebeu pacientes ilustres, como o presidente do Senado José Sarney (PMDB), o vice-presidente da República, José Alencar (que está internado), além da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), o ex-governador de SP, Orestes Quércia (que morreu na última sexta-feira vítima de câncer na próstata), além do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e do senador Romeu Tuma (PTB), que ficou internado na unidade coronariana durante mais da metade do processo eleitoral e morreu poucos dias depois do pleito.
Segundo o superintendente de Engenharia e Logística do hospital, Rodrigo de Almeida Macedo, que cuida da área de segurança, sempre que o Sírio-Libanês recebe visitantes do primeiro escalão da República, a segurança é forçada com agentes do próprio governo, que mantêm a vigilância dentro e fora do quarto onde o paciente está.
“O hospital recebe mais de cinco mil pessoas diariamente. Além de políticos, há empresários, artistas, religiosos e outros pacientes mais anônimos, que não querem ter a privacidade violada. É um trabalho em conjunto com a Casa Militar do governo, para que não crie tumulto e atrapalhe o andamento das atividades técnicas de médicos e enfermeiros”, diz Macedo.
Reforço
Na UTI (Unidade de Tratamento Intensiva) onde o vice-presidente José Alencar está internado, apenas algumas pessoas têm acesso à área. O acesso ao andar é autorizado somente para empregados e vigilantes treinados.
O tráfego de pessoas é controlado por leitores de proximidade e de acesso. Só os empregados e acompanhantes com crachá específico têm a entrada permitida. “Essa medida não é apenas para o caso do vice-presidente, mas para todos os pacientes. O acesso tem que ser restrito também para que os pacientes não fiquem expostos a infecções e doenças trazidas da rua”, diz o responsável pela segurança.
Os andares onde se encontram os leitos de internação do hospital também recebem a ronda dos seguranças a cada dez minutos, seja nas unidades de oncologia (tratamento de câncer), cardiologia, mastologia, entre outras. Em cada andar há pelo menos cinco funcionários, entre enfermeiros e auxiliares, que atendem os quartos. Eles estão estrategicamente acomodados em um balcão perto dos elevadores e também controlam o entra e sai dos visitantes.
“O sigilo e a privacidade dos pacientes também dependem do compromisso das equipes técnicas. Fazemos um esquema de escala fixa para que os enfermeiros e auxiliares acompanhem o paciente até o fim da internação. É a forma de estabelecer o relacionamento de confiança e sigilo com ele e a família. Isso permite que os funcionários entendam os hábitos e necessidades dos pacientes, garantindo maior conforto e cumplicidade”, diz Ivana Siqueira, superintendente de atendimento do hospital.
A equipe técnica do Sírio-Libanês é composta por mil auxiliares de enfermagem, 330 enfermeiros e 2.600 médicos credenciados para atendimento no hospital, somando mais de 7 mil funcionários, entre empregados e colaboradores. A qualquer indício de alguém estranho ao local no corredor, logo aparece alguém para interpelar o desavisado. “É um ambiente sobretudo de privacidade. Quem vem aqui está atrás de sossego para cuidar da saúde e não quer luxo e não faz exigência. Quer apenas tranqüilidade”, conta Siqueira.
Apesar desse batalhão de empregados, Ivana Siqueira diz que o hospital opera com normalidade, mesmo quando há pacientes ilustres internados. A estrutura dos quartos é exatamente a mesma para qualquer paciente. Ao contrário do que muitos pensam, diz ela, não há luxo nem ostentação nos quartos.
A reportagem do iG teve acesso ao único quarto livre da unidade de oncologia do hospital na semana de 15/12 e verificou que os quartos são bem estruturados, mas apenas com o material que se espera de um hospital. Além da cama central com equipamentos de aferição clínica e cardiológica, o quarto tem uma sala de estar para receber visitas, cama auxiliar para o acompanhante, sofá em couro, dois grandes televisores de tela plana e frigobar.
No fundo do quarto há uma mesa de escritório improvisada, onde pacientes e acompanhantes podem fazer algum tipo de trabalho ou refeições durante o período de internação. É exatamente num quarto assim que o vice-presidente José Alencar ficou internado, assim como a presidente eleita Dilma Rousseff, quando ainda se tratava do câncer linfático.
Mimos
O Sírio-Libanês conta ainda com uma equipe de 18 funcionários formados em hotelaria, que atendem a alguns caprichos dos pacientes. A equipe é subordinada a uma gerência de hospitalidade, que oferece diversos serviços para os clientes como serviços de cartório, banco, providenciam assinatura de revistas e jornais internacionais, além de serviços, acreditem, de petshop.
“Alguns pacientes são sozinhos e se internam sem ter ninguém para cuidar de suas contas ou mesmo dos animais em casa. Nós já temos alguns escritórios e petshops cadastrados e de confiança, que vão até a casa do paciente para alimentar os animais, dar banho ou pagar contas e fazer serviços cartoriais”, explica Marina Muto, gerente de hospitalidade do hospital.
O hospital agora planeja uma expansão e fala em construir mais quatro unidades pelo país. Além da unidade do Itaim, em São Paulo, que está sendo ampliada para leitos, Brasília, Campinas e alguma cidade do Nordeste terão uma unidade de especialidades. O custo das obras é de R$ 600 milhões até 2016.
A unidade de Brasília será, sobretudo, para atendimento oncológico. A escolha da capital federal não é apenas para atender os pacientes que freqüentam o Poder, mas todos os pacientes da região norte e centro oeste, que cruzam o país em busca de ajuda médica especializada.
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