A Secretaria de Estado da Saúde (SES) lançará nesta quarta-feira (23)
a campanha contra a raiva animal, no Hotel Ouro Branco, em João Pessoa.
Durante o lançamento, técnicos e funcionários da saúde receberão
treinamento para que conscientizem a população sobre a necessidade de
vacinação dos animais.
“É importante esclarecer as pessoas de que elas não precisam ter medo
da vacina, porque o Ministério da Saúde fez modificações e os
óbitos de animais registrados no ano passado em consequência da vacina
não voltarão a acontecer. Vamos explicar no lançamento o que mudou e
porque a vacina do ano passado ocasionou a morte de alguns animais”,
enfatizou o chefe do Núcleo de Controle de Zoonoses, Francisco de Assis
Azevêdo.
Neste ano, eventuais casos desse tipo serão notificados através do
portal do DataSUS (www.datasus.com.br), do Ministério da Saúde.
A campanha já foi iniciada esta semana em todos os municípios
paraibanos com a vacinação dos animais da zona rural e de locais de
difícil acesso. Até setembro deste ano, foram registrados nove casos
de raiva animal, sendo um caso em morcego e oito em bovinos. No ano
passado, foram registrados um caso de raiva canina e 13 casos em
bovinos. Na Paraíba, o último caso de raiva humana registrada
aconteceu no ano de 1999.
A SES já distribuiu para as Gerências Regionais de Saúde 656 mil
doses de vacina e igual número de seringas e agulhas para utilização
durante a campanha de vacinação contra a raiva animal. A meta da
Paraíba é imunizar 589.461 animais, sendo 398.925 cães e 190.536
gatos.
No sábado (26) será o “Dia D” da campanha, quando a imunização
será concentrada na zona urbana. No período das 8h às 17h, mais de
800 postos de vacinação estarão abertos nos 223 municípios do
Estado, mobilizando aproximadamente seis mil profissionais de saúde.
Segundo Francisco de Assis Azevedo, serão utilizadas seringas e agulhas
descartáveis na proporção de uma seringa e uma agulha para cada
animal vacinado. O objetivo é proporcionar mais qualidade ao serviço e
evitar contaminações.
Azevedo explicou que, pelo terceiro ano consecutivo, será utilizada a
vacina de cultivo celular em cães. O imunizante faz parte de um
protocolo assinado entre os países latinoamericanos e a Organização
Mundial de Saúde (OMS), que pretende eliminar até o ano de 2012 a
raiva humana transmitida por cães, principal fonte de infecção no
ciclo urbano. “Esse tipo de vacina tem melhor resposta imunológica e
apresenta ação mais duradoura”, ressaltou.
**Vigilância da raiva em morcegos** – A gerente executiva de
Vigilância em Saúde, Júlia Vaz, também informou que a Secretaria de
Estado da Saúde (SES) trabalha em conjunto com a Secretaria Municipal
de São José do Egito (PE), a Secretaria de Saúde e Agricultura do
Estado de Pernambuco e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para
monitorar a raiva em quirópteros (morcegos).
O monitoramento da doença é feito em nove municípios que se unem à
divisa pernambucana: Água Branca, Amparo, Imaculada, Juru, Matureia,
Ouro Velho, Princesa Isabel, Tavares e Teixeira. São realizadas
análises do material encefálico dos animais encontrados mortos na
região para que seja feito controle da doença entre os morcegos e
evitar que eles possam transmiti-la para outros animais através de
mordidas ou arranhaduras.
**A doença** – A raiva é uma doença infecciosa aguda, de etiologia
viral, transmitida ao homen por mordedura, arranhadura, lambedura de
mucosas ou pele lesionada por animais raivosos, provocando uma
encefalite viral aguda. A transmissão ocorre quando o vírus rábico
existente na saliva do animal infectado penetra no organismo.
A doença acomete o sistema nervoso central, levando ao óbito após
curta evolução. É letal em aproximadamente 100% dos casos, por ser
causada por um vírus mortal, tanto para os homens quanto para os
animais, e a única forma de evitá-la é pela vacinação anual, que
não tem contraindicação.
A raiva apresenta quatro ciclos de transmissão: no ciclo rural, os
bovinos, ovinos, caprinos, suínos e equídeos são os principais
elementos transmissores; no ciclo silvestre, as raposas, guaxinins,
macacos e roedores têm maior destaque na transmissão da doença; no
ciclo aéreo, os morcegos representam o maior perigo; e no ciclo urbano
os principais elementos responsáveis pela manutenção do vírus
rábico são os cães e gatos.
Secom-PB
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