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Saúde mental dos idosos e covid-19: psicólogo explica fatores que podem contribuir para uma piora

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A situação atual provocada pela pandemia do coronavírus, é encarada por cada pessoa de uma forma diferente. Tanto a doença em si quanto o isolamento social são fatores de estresse para todo ser humano. Nos idosos, os efeitos podem ser ainda maiores, pois eles encontram-se no grupo de risco. Segundo o psicólogo e gerontólogo, Fabrício Oliveira, os idosos estiveram em evidência no início da pandemia por serem o grupo de risco mais vulnerável e, consequentemente, às primeiras mortes.

Essa informação, por si só, já pode deixar muitas pessoas acima dos 65 anos angustiadas. Se ela estão em isolamento social, conforme o recomendado pela OMS, existem outros fatores que podem contribuir ainda mais para uma piora no estado emocional. “Os primeiros diagnósticos positivos e de óbitos foram em pessoas acima de 60 anos que, na grande maioria, são portadores de doenças crônicas (diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares) se tornando protagonistas dessa triste realidade. Sabemos que quando passamos de uma certa idade ficamos mais vulneráveis a tudo, principalmente, a nossa saúde mental, temos que trabalhar a mente para estar sempre bem e ativa. Suprimir a liberdade de ir e vir, de visitar os parentes ou receber visitas, rever os amigos, passear, viajar e principalmente ir a missas ou cultos. Tal situação teve um impacto muito grande na vida social da pessoa idosa, que de forma abrupta teve que deixar suas atividades sociais, culturais e de lazer”, disse Fabrício Oliveira.

Quais os problemas emocionais causados pelo isolamento social nos idosos?
O isolamento social a longo prazo e quando negligenciados cuidados básicos para manutenção mínima da saúde mental, pode ser prejudicial à saúde de qualquer pessoa e ter um efeito ainda maior nos idosos.

Vale ressaltar que, neste momento, existem idosos em diferentes situações: alguns estão isolados em casas de repouso, outros recolhidos em suas próprias casas e uma outra parcela que está com a família. Para cada um deles, os desafios são diferentes, mas é importante fazer com que eles não se sintam isolados emocionalmente. Em uma pessoa jovem, o isolamento pode contribuir para baixar a imunidade, devido à ausência de exposição solar (vitamina D) e o sentimento de solidão. Nos idosos, isso pode ser mais grave, justamente por terem um organismo menos resistente.

Atitudes que devemos ter com os idosos durante o isolamento social
Quem está convivendo diariamente com os idosos durante o isolamento, precisa ter sabedoria para conseguir lidar, algumas vezes, com a intransigência dos senhores e senhoras. Muitos deles vão querer sair e descrer na periculosidade que acaba os envolvendo. Nesses momentos, o bom humor e as conversas francas precisam acontecer. Nenhuma pessoa mais velha gosta de ser repreendida por uma mais jovem de uma forma abrupta, isso acaba sendo interpretado como um sinal de desrespeito. Aproveite o momento para esclarecer sobre todos os riscos e falar sobre a sua própria postura e atitude em relação ao isolamento social. Descreva o quão importante é a presença dele ou dela na sua vida e diga que você o ama ou a ama demais para permitir que algo ruim lhes aconteça. Faça com que eles sintam-se amados, acolhidos e entendidos em sua dor, trabalhe a empatia e coloque-se no lugar deles. Isto é muito importante.

Além disso, promova atividades em conjunto. Eles precisam alimentar-se bem e exercitarem-se. Procure exercícios para pessoas da terceira idade no YouTube e tire esse momento junto. Converse, ria, brinque. Se houver uma área externa na casa ou condomínio, dê uma caminhada, pegue um pouco de sol para recarregar as energias. Peçam-lhes que conte uma antiga história enquanto isso. É um excelente momento para estreitar os laços e reforçar os vínculos.

Se você possui uma relação difícil com o idoso que está próximo a você neste momento, seja avô, avó ou tio e tia, aproveite para refletir o viés dessa relação. O que está ao seu alcance e que você pode tomar iniciativa para mudar? Muitas vezes, os problemas nas relações persistem, pois nenhum dos lados dá o primeiro passo e o ‘braço a torcer’. Experimente. Este é um bom momento para treinar a solidariedade e a paz nas relações, sejam elas próximas por oportunidade ou inevitabilidade.

Redação

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