No próximo dia 23 a Maternidade Dr. Peregrino Filho, de Patos, marcará uma
data importante na sua história. Trata-se do aniversário de 14 anos do
primeiro atendimento a um bebê na área denominada de Mãe Canguru, método
que trabalha com uma técnica de aquecimento natural em que o recém-nascido
prematuro fica agasalhado ao corpo de sua mãe recebendo seu calor e carinho.
Mãe Canguru nasceu em 1979 na Colômbia, que enfrentava sérios problemas no
cuidar de bebês prematuros. Em 1999, ou seja, vinte anos depois, a direção
da Maternidade Peregrino Filho, médicos, enfermeiros, preocupados com o
elevado índice de mortes neonatais, com a falta de recursos, equipamentos
e material humano viram a necessidade de fazer algo para tentar reduzir o
problema.
Mesmo sem contar ainda com todas as informações necessárias a sala passou a
funcionar. O primeiro prematuro atendido pela Mãe Canguru recebeu o nome de
Matheus Galdino de Brito. Sua mãe, Lucineide Pereira, chegou à Maternidade
doente de cólera e se queixando de dores. Recebeu atendimento do médico
Odir Borges: “Eu pensei que ele não fosse nascer naquele momento, já que
minha barriga era muito pequena. Mas disse: Doutor o menino estava vindo”,
lembra a mãe de Matheus.
Mesmo 14 anos depois Lucineide não deixa de emocionar-se ao lembrar o
sofrimento que viveu com seu filho, o qual nasceu pesando 1,4 quilo e com
complicações respiratórias. As lágrimas deram lugar a um brilho de
felicidade com a aproximação de Matheus, que recebeu afagos de mãe.
Na sua timidez, Matheus apenas escutava o relato se sua genitora. Aluno do
9º ano do Fundamental, da Escola Municipal Monsenhor Manoel Vieira, Monte
Castelo, bairro patoense em que reside, um de seus sonhos é tornar-se
jogador de futebol. O primeiro passo foi dado, joga nas categorias de base
do Esporte Clube de Patos, na posição de lateral esquerdo.
A exemplo de Matheus, mais de 500 bebês prematuros já passaram pela sala da
Mãe Canguru nesses 14 anos, segundo a técnica de enfermagem Luzia Mendes da
Silva, pioneira do serviço na Peregrino Filho. Desde a implantação desse
serviço que ela coordena o setor. Na época uma equipe da Maternidade fez
uma visita ao IMIP – Instituto de Medicina Integral Professor Fernando
Figueira, de Recife, o primeiro hospital do país a receber o título de
“Amigo da Criança”, conferido pela Unicef/Ministério da Saúde. De lá
trouxeram a experiência bem sucedida, que já havia lá desde 1995, e deram
maior agilidade a esse serviço em Patos.
O médico Odir Borges diz que o método “Canguru” aumenta as chances de
sobrevivência do bebê prematuro. A criança permanece junto ao corpo da mãe
recebendo calor, numa posição que facilita sua respiração, evita-se o
engasgamento, gasta menos energia e qualquer pessoa ligada sentimentalmente
à criança pode fazer revezamento com a mãe nesse cuidar especial.
No caso de Matheus seu primeiro alimento foi oferecido pelo Banco de Leite
Drª Vilani Kherle, da Peregrino Filho. Depois a senhora Lucineide foi
incentivada a doar para seu filho. Seu leite era ordenhado e dado a
Matheus, via sonda. Ele não conseguia mamar diretamente no seio da mãe por
falta de forças para a sucção.
O processo de acompanhamento a Matheus na enfermaria Mãe Canguru foi longo.
Foram 45 dias. Lucineide diz que foi um momento difícil longe de casa e ela
às vezes queria ir embora, “mas meu esposo não deixava, dizia que eu tinha
que ficar com o nosso bebê”, acrescenta. A equipe da Maternidade teve
grande importância no desenvolvimento de Matheus, segundo sua mãe. Ela
fala que inicialmente pensava que apenas ela estava preocupada com seu
filho, mas percebeu o esforço, carinho de todos no cuidar, no incentivá-la
a lutar pela saúde de seu filho.
A técnica de enfermagem que acompanhou a primeira criança da Mãe Canguru da
Peregrino Filho, Luzia Mendes, explica que realmente muitas mães sofrem
bastante emocionalmente pela distância do lar, dos familiares, sendo
importante o trabalho de psicologia, assistência social no trato com elas.
Hoje a Maternidade de Patos, que completará 42 anos de existência no dia 15
de novembro próximo, é referência para mais de 90 municípios paraibano, do
RN e PE pelos serviços de alta complexidade que oferece, possuindo UTI
neonatal e materna, realização de exames que humanizam ainda mais a
assistência à saúde da mulher, a exemplo da mamografia, serviços
implantados pelo Governo do Estado ano passado. O método Mãe Canguru não
substitui a importância da tecnologia, mas ajuda bastante na rotatividade
de leitos da UTI, reduz riscos de infecção hospitalar e promove maior
vínculo mãe-bebê.
Ascom








