Por pbagora.com.br

A pandemia do novo coronavírus vem exigindo um grande esforço da comunidade científica em todo o mundo. Desde o surgimento dos primeiros casos, os cientistas enfrentam uma batalha, não apenas pela vacina, mas para identificar e conter o avanço do vírus.

Na Paraíba, uma pesquisa coordenada pelo professor José Tavares, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental e do programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), pretende identificar e monitorar o novo coronavírus em Campina Grande através do estudo da malha sanitária da cidade.

A pesquisa “Monitoramento do SARS CoV-2 em águas residuárias produzidas pela população da cidade de Campina Grande PB: indicadores de mapeamento georeferencial e disseminação da Covid-19”, realizada em parceria a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e com o apoio da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), está identificando a presença do vírus nos resíduos despejados nos vasos sanitários da cidade. A pesquisa é financiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (FapesqPB).

Considerado ousado e moderno, o projeto, iniciado em agosto do ano passado, está na fase de análise de dados, uma vez que a primeira parte do trabalho de coleta de amostras já foi realizado. Ao todo, 17 pessoas trabalham no projeto, entre professores e estudantes, incluindo a professora Beatriz Ceballos, que tem larga experiência na área de Biologia Molecular.

Coordenador do projeto, professor Tavares ressalta que a iniciativa representa avanços na epidemiologia do esgoto, no monitoramento e no rastreamento do SARSCoV-2 para a Paraíba. Para isso, os pesquisadores têm utilizado tecnologias sofisticadas para diagnósticos, com disponibilidade escassa em laboratórios do Estado.

A coleta das amostras foi feita em três bacias sanitárias de Campina Grande, com base nos dados coletados e fornecidos pela Cagepa a partir do sistema de esgotamento da bacias Leste, Oeste e do Glória. Somente as bacias Leste e Oeste transportam os esgotos de cerca de 123.174 ligações para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Catingueira. Já a Bacia do Glória reúne cerca de 2.947 ligações. O número total de domicílios ligados a rede de esgotamento, nas duas estações de tratamento, soma 126.121 ligações, conforme dados da Cagepa.

Para desenvolver as atividades do projeto nos pontos de amostragem para coleta dos esgotos, os pesquisadores seguiram várias etapas, como a preparação e o estabelecimento de protocolos; aquisição de insumos para o consumo em laboratórios; manutenção de equipamentos; treinamento da equipe para coleta das amostras; preparação, manuseio e execução dos protocolo pré-estabelecidos; além da análise dos dados gerados.

Além da presença da carga viral no material coletado, a pesquisa também procura definir a viabilidade do vírus em função da temperatura, a eficiência da remoção em diferentes processos de tratamento, bem como saber as condições mais precisas de coleta e preservação das amostras.

Os resultados permitem não apenas a identificação de regiões específicas atingidas pelo vírus, mas também fazer a relação entre a confirmação do vírus no esgoto e os casos confirmados. As diferenças podem apontar para os casos assintomáticos e para a subnotificação resultante. Nessa pesquisa, também será possível fazer uma relação entre a concentração do vírus no esgoto e a vulnerabilidade das comunidades.

“É possível saber, através do mapeamento georeferencial, a localização do bairro e a rua que tem a população com surto da Covid-19”, conta o professor. Assim, segundo o pesquisador, as autoridades de saúde podem propor quarentena para populações regionalizadas da cidade de Campina Grande, podendo ser gerenciada por bacia de esgotamento sanitário.

Plataforma para atualizar dados sobre a Covid

Em meio ao trabalho de amostragem, o projeto também desenvolveu uma plataforma sofisticada para disponibilizar dados epidemiológicos, de georreferenciamento e mapeamento do SARS CoV-2 em águas residuárias de Campina Grande. Esse trabalho pode, inclusive, se expandir para outras variedades, mutações virais e outros patógenos.

A plataforma, já no ar, dispõe de dados do Indicador Georreferencial de contaminação do novo coronavírus por bairros. Por ser dinâmica, ela está sendo atualizada continuamente, conforme novas informações são obtidas. A estrutura de programação da plataforma foi desenvolvida por uma startup, com um ambiente de acesso restrito aos pesquisadores que a atualizam com os dados. A plataforma também possui um projeto gráfico que permite a navegação e fácil compreensão do usuário comum. O nível de precisão informa até o número de residências e estabelecimentos de cada região monitorada.

Desafios

O projeto está na fase de testar amostras de esgoto para SARS-CoV-2 e disponibilizar os resultados na plataforma. O professor José Tavares explica que esse trabalho demanda tempo, depende do envio dos insumos – que são caros – e da disponibilidade dos laboratórios.

Tavares explica que o avanço no diagnóstico, monitoramento e epidemiologia de SARS-CoV-2 através dos esgotos é uma tarefa de várias demandas e, nesse aspecto, nem sempre é possível prever exatamente o período de execução das metas a serem atingidas.

Os pesquisadores do projeto estão com cerca de 80 amostras centrifugadas e filtradas em membranas eletronegativas para a concentração do material viral. As mesmas ficaram prontas, preparadas e preservadas. Todas foram encaminhadas para análises de RT-PCR no Laboratório da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que tem parceria com a FIOCRUZ, no Recife.

Uma das metas já alcançada refere-se a plataforma digital desenvolvida pela equipe do projeto. Nesse sentido, estão sendo inseridos, para acesso público, dados com o número de casos confirmados pela Secretaria de Vigilância Epidemiológica de Campina Grande, que podem ser obtidos no endereço eletrônico mgeocov2cg.herokuapp.com/principal.

Além do professor José Tavares e da professora Beatriz Ceballos, integram o projeto os professores Valderi Duarte Leite (UEPB), Wilton Silva Lopes (UEPB), Rafael Trindade Maia (UFCG) e Magnólia Araújo Campos (UFCG), além dos discentes de pós-graduação da UEPB.

A equipe é formada ainda por Lucílio Vieira, gerente Regional da Cagepa; Ana Carolina, gerente de Controle e Qualidade; Henrique Augusto Morais, subgerente de Controle e Qualidade; e Miguel Dantas, gerente da Secretaria de Vigilância Epidemiológica de Campina Grande.

Já a equipe discentes da Pós-graduação, é formada por Thiago José Carvalho de Aquino Ramos; Timóteo Silva Ferreira; Jefferson Santos de Amorim; Gabriely Dias Dantas; Evelyne Morgana Ferreira Costa; Daniele Jovem da Silva Azevedo (PNPD); Railson de Oliveira Ramos; Roberta Milena Moura Rodrigues; Amanda da Silva Barbosa Cartaxo; Maria Virgínia da Conceição Albuquerque; Maria Célia Cavalcante de Paula e Silva; Catarina Simone Andrade do Canto (PNPD) e Patrícia Pinheiro.

Redação com assessoria

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