A Paraíba tem o maior número de casos de sarampo no país, com 45 registros, tendo os dois últimos casos sido confirmados ontem. Segundo o Ministério da Saúde (MS), além do Estado, apenas Rio Grande do Sul e Pará detectaram a doença, com sete e três casos, respectivamente. Falta apenas a confirmação de mais 12 casos para que a Paraíba supere a quantidade de casos registrados no único surto de sarampo registrado na última década, ocorrido na Bahia, em 2006, quando houve 57 casos. Dos 45 registrados, 44% ocorreram em crianças com menos de cinco anos. Segundo o MS, este dado representa um alerta, pois esta faixa etária representa o grupo que é capaz de manter a circulação do vírus na população, impedindo que a cadeia viral seja interrompida. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) ainda aguarda resultado de outros 72 casos, que estão sob investigação. Ao todo são 117 notificações.
O coordenador de Imunização da SES, Walter Albuquerque, afirmou que a última confirmação de um caso de sarampo ocorreu no dia 6 de outubro, o que, para ele, já se pode identificar como uma estabilização da doença no Estado. “Ainda há muitos casos sendo investigados. Mas há 14 dias, nenhum caso é confirmado”, disse. Segundo ele, a população ainda não demonstrou muita preocupação em ir aos postos de saúde em busca da vacinação, apesar de os municípios de João Pessoa, Santa Rita, Conde e Bayeux terem iniciado uma campanha de vacinação.
Segundo ele, a solução para melhorar a cobertura vacinal está na vacinação casa a casa, em creches, escolas e indústrias. Os casos confirmados foram registrados 41 em João Pessoa, dois em Santa Rita, um em Bayeux e um no conde. Walter Albuquerque contou que as crianças na faixa etária de até cinco anos representam um risco de manutenção da circulação do vírus, pois em escolas e creches, eles geralmente ficam muito próximos, o que facilita a transmissão. “Se esta população não está vacinada, vai manter o vírus circulando. Houve uma falha na vacinação, o número de crianças e adolescentes vacinados não foi o ideal, que é de 95% e só percebemos isto porque os casos foram notificados”, disse.
Os casos da doença não notificados em João Pessoa ocorreram na Região Metropolitana, mas em pessoas que estiveram na Capital, o que fez o Ministério da Saúde identificar a cidade como o provável local de infecção. O vírus identificado pelo Laboratório de Referência Nacional (Fiocruz/RJ), até o momento, foi o do genótipo B3, que tem sequenciamento genético similar ao que circula na África do Sul.
O Ministério da Saúde recomenda que as unidades de saúde básicas e privadas mantenham uma identificação da ocorrência de novos casos suspeitos; notifiquem estes casos às secretarias municipais, em até 24 horas; coletem sangue e espécimes clínicos (secreção de nasofaringe e urina) para identificação viral e enviem ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/PB) e mantenham a busca ativa de casos suspeitos não notificados nas unidades de saúde.
Jornal Correio da PB








