Por Wellington Farias

Nunca foi tão importante trabalhar e torcer para o Brasil dar certo, como agora. O Brasil tem que dar certo; temos que vencer este inimigo letal e invisível chamado coronavírus, custe o que custar.

Nós, paraibanos, particularmente temos duplo motivo para torcer para que a passagem do novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, seja exitosa: primeiro, porque o Brasil precisa sair da situação vexatória em que se encontra; segundo, porque trata-se de um paraibano que está à frente de um dos maiores desafios do Brasil em toda a sua história.

Dúvidas

Mas há um fato que não pode ser negado: o cardiologista Marcelo Queiroga começa ministro sob uma atmosfera de dúvidas acerca do que será a sua passagem pelo Ministério da Saúde. 

Primeiro, porque fica claro que não seria ele o nome da preferência do presidente Bolsonaro. Queiroga, afinal, só se tornou ministro depois que Ludhmila Hajjar, médica de renome nacional, recusou o convite para preencher o cargo deixado pelo ex-ministro e general Eduardo Pazuello, este cuspido do cargo como um bagaço de rolete de cana.

Segundo porque o paraibano Marcelo Queiroga – embora seja íntimo da família Bolsonaro há anos – só foi convidado para o Ministério na quarta mudança ministerial. E, mesmo assim, depois que Ludhmila Hajjar não aceitou se submeter aos caprichos de Bolsonaro, por achar que está tudo errado; por rechaçar o negacionismo à ciência; por desaprovar a Cloroquina como prevenção ao coronavírus; e, com toda a certeza, por não querer manchar a sua biografia sabendo que o projeto “pensado” pelo “mito” não dará certo…

Terceiro: fica claríssimo que o paraibano Marcelo Queiroga só se tornou ministro porque – ao contrário de Ludhmila Hajjar – se sujeitou aos caprichos de Jair Messias Bolsonaro, que não entende bulhufas de saúde nem de ciência, segundo demonstra o quadro crítico atual do País.

Quarto: o médico Marcelo Queiroga é tido como bolsonarista de primeira hora, tendo atuado de forma intensa na campanha presidencial pela eleição de Bolsonaro. É visto, portanto, como um homem da ciência que apoia um projeto que nega tudo aquilo que estudou e que fez dele um profissional de medicina dos mais respeitados, a ponto de ser presidente da Sociedade Brasileira Cardiologia.

O que resta

É razoável supor que, para a passagem do paraibano pelo Ministério da Saúde obter êxito, necessariamente ele teria de convencer o presidente Bolsonaro a aderir a um projeto de combate ao coronavírus calcado na ciência; negar o negacionismo; pensar a pandemia mais como uma questão de saúde pública do que como instrumento político e de convencimento dos seus eleitores.

Méritos, o paraibano Marcelo Queiroga tem de sobra. Capacidade e entendimento sobre o que está acontecendo, também não lhe falta.

Além da batata quente que Queiroga tem nas mãos, ainda lhe resta a difícil missão de convencer o chefe-presidente de que o projeto do governo para o enfrentamento do coronavírus está totalmente equivocado.

Oremos, para que o Doutor Marcelo Queiroga consiga dobrar o teimoso do Bolsonaro. Senão… muitas vidas ainda serão ceifadas.

Por Wellington Farias

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