Eu sentei e o desejo foi de escrever “infinitamente” algo “perigoso”. Já passava das 2h30. Madrugada bem parida. A gente tem dessas coisas. Não importa a hora ou onde você está. O banheiro da sua residência ou a privada se transformam numa sala de estudos. O quarto, em passe de mágica, passa a ser a Biblioteca do Vaticano ou a que disponho de melhor em período quase integral: a existente na Universidade Federal da Paraíba.

Muito aquém dos mestres da literatura nacional e mundial, presto homenagem aos magníficos Dostoiévsk, Victor Hugo, Graciliano Ramos, Machado de Assis e ao bom baiano Jorge Amado; em formato de escrita. Escrita para Oxalá, Jesus, Alá ou a Sidarta Gautama, carinhosamente chamado de Buda. Todos têm seu valor. Minha admiração monoteísta, politeísta e pagã. Tudo está presente em todos os deuses e deusas. Tudo em um só caldeirão de bondade e pura maldade. Dualidade humana.

Também não poderia este texto ter cunho literário, político, econômico, mítico, religioso, científico ou outras tantas “derivações”. Simplesmente ele surgiu da minha mente angustiada. Trata-se de um desabafo em breves linhas. O meu desabafo. Posso? Querelas e melindres afetados hoje não necessito. O “demo” do Covid-19 já é suficiente para derreter meu cérebro em amargura e tristeza. Mas no meu âmago racional sei que não é só o vírus da “moda” que me perturba.

E nessa confusão mental e espiritual buscarei lutar contra as incertezas de uma pandemia maldita fundamentando em minhas “certezas” pouco absolutas. Buscarei em fatos históricos o ciclo da vida. Nas divagações da cloroquina oferecida por Bolsonaro ou no pão com mortadela dado por Lula. Sei que não estou só neste Planeta Água. Inserido está meu ser numa “Guerra de Mundos”, no qual o vilão principal de hoje é microscópico. Ele entrará para os livros da milenar história, como nós, que somos a própria.

E por falar em cloroquina, nunca experimentei o sabor da tal, mas pelos relatos, não é muito palatável. Agora pergunto: qual o rico ou pobre que nunca comeu mortadela? Aquele que jamais ficou engasgado que atire o primeiro pão dentro da goela para favorecer o “desentale”.

Mas isso é só uma ilustração para o texto. De fato ninguém precisa das partes descartáveis dos porcos em formato de puro colesterol. Muito menos chegar a um estado de embriaguez tomando, de forma descontrolada, um medicamento que ainda está em fase de teste, cujo balconista da farmácia chamada Brasil prescreve de forma genocida para seus “súditos” cegos.

E agora me lembro de um pessoal que usa a pandemia para “arrecadar” sopa para os pobres de grana e exigir a volta ao trabalho. Luciano Hang e Roberto Justus estão nesse “panteão” da maldade. Algo bem próximo dos ricos da “esquerda”. Sim, existem grandes fortunas do outro lado do muro erguido pela foice e o martelo. E como sou bacana e do “bem”, ofereço passagens aéreas para todos. Para o povo adorador dessa gente polida à base de um lustra móveis barato e de má qualidade.

Destino para os egoístas, sejam eles de esquerda ou de direita radical? Ida para o Irã, Itália, Riviera Francesa, Guayaquil ou qualquer lugar do mundo. Mas só há um detalhe para ter acesso à nave: todos têm que circular livremente no meio de cadáveres, visitar necrotérios, beijar a morte e gritar em alto e bom som: “ Eu errei!”. Aí estarão perdoados por todas as religiões e deuses. Perdoados das suas respectivas atrocidades cometidas por sua (nossa) natureza destruidora.

Do Ganges ao Amazonas. Do Tâmisa ao Yangtzé. Do Eufrates ao Nilo. Não há diferença quando se é radical na sua própria “navegação”. Dos batedores de panela aos que formalizam carreatas da morte, no final todos se preocupam com o mais profundo egoísmo do ser. Defendem seu patrimônio material e imaterial exibindo a mais pura falsa moral.

Agora pergunto: será que não (sou) somos um só ser? O Ser e o Humano? Até quando vamos aniquilar nossos irmãos? Alguém sabe o número de mortos em todas as guerras do chamado “mundo civilizado”? Das pandemias que dizimaram gregos e troianos. Católicos e luteranos? Magnatas e favelados?

Como no “Ensaio sobre a Cegueira”, do escritor português José Saramago, a narrativa da obra está centrada no ofuscar metafórico dos olhos. Da visão anulada com o mais alvo brancor. A escuridão egocêntrica do lado vil humano.

A Cegueira Branca

Atualíssimo, o livro não se trata da cegueira física como nós conhecemos. Saramago usava suas personagens para fazer uma crítica ácida à sociedade, principalmente no que diz respeito à cegueira moral.

Ele deu o nome de “cegueira branca’, e no decorrer do livro o autor discorre sobre assuntos polêmicos e delicados, já que se trata da “patologia”, como uma das piores doenças humanas.

O termo “cegueira branca” é usado pelo escritor para representar o egoísmo, a imparcialidade, o medo, a covardia, a raiva e outros sentimentos que cegam o ser humano e o levam à perdição.

E é isso que eu e você estamos a viver. O novo coronavírus foi só o catalisador para enxergarmos nossos próprios erros. Estatísticas econômicas que valem bem mais que a própria vida humana. Paladinos da moralidade, da santificação religiosa, dos ateus, graças deus, que queimarão no “fogo do inferno” criado pelo homem. Todos e tudo perdidos no atual cenário de caos.

A boa notícia reside em você e também dentro do meu ser. Do seu ser. Do nosso ser. Gestos infindáveis de amor, cooperação entre os povos. Solidariedade que só a dor, por mais paradoxal que pareça, consegue oferecer a uma sociedade doente e egoísta, mas que pode ser curada. É só olhar com carinho o irmão que está ao seu lado.

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Eliabe Castor
PB Agora

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