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Ministério da Saúde diz que Paraíba já saltou para 248 notificações de microcefalia

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Os números não param de crescer e de forma assustadora.  A Paraíba tem 248 casos suspeitos de microcefalia notificados, de acordo com boletim dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (30). O número é 138% superior ao divulgado na terça-feira (24) pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), quando eram 104 notificações.

A Paraíba é o segundo estado com maior número de casos notificados no país, sendo que Pernambuco registrou 646 casos. Em todo o país são 1.248 em 311 cidades de 13 estados e no Distrito Federal e seis casos suspeitos de mortes de crianças por microcefalia estão sendo investigados. No sábado (28), o Ministério da Saúde tinha confirmado que o zika vírus é o responsável pelo surto de microcefalia. A SES informou nesta segunda-feira que um novo boletim estadual deve ser divulgado na terça-feira (1º).

De acordo com a pasta, a situação é “inédita na pesquisa científica mundial”, com risco associado aos primeiros três meses de gestação. No dia 11 de novembro, o ministro da saúde, Marcelo Castro, declarou estado de emergência em saúde pública por causa dos casos suspeitos de microcefalia.

A microcefalia é uma condição rara em que o bebê nasce com o crânio do tamanho menor do que o normal. Para crianças que nasceram com nove meses de gravidez, a doença se apresenta quando o perímetro da cabeça é menor do que 33 cm – o esperado é que bebês tenham pelo menos 34 cm.
De acordo com a gerente de Atenção à Saúde da SES, Patrícia Assunção, explicou na terça-feira (24), a notificação da SES estava migrando para um sistema online, o que vai permitir um acompanhamento em tempo real, segundo foi divulgado nesta terça-feira.

Segundo Patrícia, os casos foram registrados em 32 cidades, sendo que João Pessoa concentra 50 deles, o que equivale a 48,1% do total. Os dados da Secretaria distribuem os casos pela cidade de residência das mães e não pelo local de nascimento. Com isso, apenas um caso está notificado em Campina Grande, enquanto nove casos são do Conde, no litoral sul.

De acordo a responsável pelo setor de Resposta Rápida da SES, Diana Pinto, muitos municípios estão notificando os casos pelo local de nascimento, o que gera um desencontro, já que a SES está notificando pelo endereço da mãe. “Se formos investigar a relação com o mosquito, tem que ver onde a pessoa foi infectada, que não é onde o bebê nasceu, mas onde a mãe mora”, explica.

A gerente de Atenção à Saúde da SES, Patrícia Assunção, também explicou que a SES está seguindo o protocolo de notificações estabelecido pelo Ministério da Saúde e que assim que o perfil se encaixa, já é notificado.
“A maioria das notificações foi realizada baseada apenas na medida do perímetro cefálico igual ou inferior a 33 cm, independente da mãe relatar ou não sinais de sinotmas de doenças infecciosas durante a gravidez e de exames complementares”, diz o relatório.

Mas o médico Claudio Régis explica que estes casos notificados vão passar por novos exames, como tomografia e exames de sangue. “Em 15 ou 20 dias pode-se saber com certeza se têm microcefalia. E ainda assim pode, no final, não saber o agente que causou”, explica. Com isso, uma parte destes casos pode ser descartado depois dessa investigação.

Antes da entrevista coletiva em que os dados foram notificados, a secretaria realizou uma reunião com hospitais e maternidades de referência no estado para determinar o caminho a ser feito quando as grávidas tiverem suspeita de que zika ou microcefalia. “É importante as pessoas se cuidarem cada vez mais para evitar o mosquito transmissor. A população precisa ter cuidado para não ter mais criadouros”, orienta o pediatra e neonatalogista Claudio Régis.

O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, informou que as investigações sobre a relação da infecção pelo vírus com a microcefalia estão sendo feitas com cautela. “Vocês podem perguntar se isso fecha a correlação entre as duas coisas, e minha resposta é: ‘quase’. Estamos sendo bastantes cautelosos, mas não se encontrou nenhuma outra causa até o momento. Tivemos uma circulação importante do vírus no Brasil no primeiro semestre, coisa que aconteceu pela primeira vez na nossa história”, disse Maierovitch.

Relação inédita
No balanço do dia 17, o Ministério da Saúde informou que a epidemia de contaminação por zika vírus registrada no primeiro semestre é a “principal hipótese” para explicar o aumento dos casos de microcefalia na região Nordeste. No mesmo dia, exames feitos com o líquido amniótico de dois bebês com a doença em Campina Grande confirmaram que houve infecção por Zika vírus durante a gestação.
Maierovitch disse ainda que a relação entre o vírus zika e a má-formação genética “é inédita no mundo” e não consta na literatura científica até o momento.

Apesar disso, o Ministério da Saúde não trabalha com a hipótese de que o vírus zika em circulação no Brasil tenha sofrido mutação e se tornado mais perigoso. “O Zika foi identificado em pouquíssimas partes do mundo. Foi no Brasil e no primeiro semestre que ele circulou com mais intensidade. Essas consequências ‘novas’ podem não ter sido identificadas antes porque a circulação ocorreu em áreas limitadas”, afirmou o diretor.

 

Redação 

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