Falar sobre o ganho de peso também é falar sobre aspectos genéticos, comportamentais, socioculturais e econômicos. Nesse contexto, ao perceber o ganho de alguns quilos no seu peso corporal, de forma contínua ou excessiva, é fundamental segundo os especialistas Márcia Brandeburski (endocrinologista) e Vivian Gonçalves, que é nutricionista tentar compreender o que está provocando esse aumento de peso, ao invés de procurar dietas milagrosas, remédios para emagrecer ou adotar outros comportamentos imediatistas que podem ser prejudiciais à saúde. Na Paraíba, 282 mil pessoas com excesso de peso foram acompanhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2020, representando 46,3% da população que utilizou o serviço.
Ainda segundo esses dados do SUS, dividindo por faixa etária, tem-se que 36.12% da população adulta do estado estava com sobrepeso em 2020, o que significa 94.423 pessoas da mesma faixa etária. Os dados compõem os relatórios do estado nutricional dos indivíduos acompanhados por período, fase do ciclo da vida e índice, do Ministério da Saúde e revelam que o sobrepeso naquele ano fazia parte da vida da maioria da população adulta na Paraíba.
“Divide-se o peso (em Kg) do paciente pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado. De acordo com o padrão utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando o resultado fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2, o peso é considerado normal. Entre 25,0 e 29,9 kg/ m2, sobrepeso, e acima deste valor, a pessoa é considerada obesa”, explica. Ela ressalta que conforme a magnitude do excesso de peso pode-se classificar o grau de obesidade em: Obesidade leve (classe um – IMC 30 a 34,9 kg/ m2), moderada (classe dois – IMC 35 a 39,9 kg/m2) e grave ou mórbida (classe três – IMC ≥ 40 kg/m2). “O IMC normal seria de 20 a 25 e sobrepeso IMC de 25 a 30 kg/m2. Essa classificação é importante na escolha do tipo de tratamento, quando deve ser clínico ou cirúrgico. A obesidade pode, também, mexer com fatores psicológicos, acarretando diminuição da autoestima e depressão e é fator de risco para uma série de doenças”, completou, Márcia Brandeburski.
De acordo com a nutricionista Vivian Gonçalves, a obesidade tem como uma de suas raízes o sistema alimentar como um todo, que tem influência na produção dos alimentos, na disponibilidade e até mesmo no preço final para o consumidor, dentre outras questões. Aspectos fundamentais que podem interferir nas escolhas individuais e familiares na hora de se alimentar.
Até mesmo os ambientes institucionais exercem o seu poder de influência e regulação, como a escola e o trabalho. Se eles não forem adequados, sem favorecer atitudes e comportamentos saudáveis, também podem colaborar para o desenvolvimento e a manutenção do sobrepeso e da obesidade. Um exemplo de influência positiva são as empresas que têm copas para que o colaborador leve sua comida de casa, um espaço para se alimentar adequadamente. Ou ainda, escolas que priorizem os alimentos in natura e minimamente processados no preparo da alimentação oferecida aos escolares. “Quando nós temos um ambiente que é favorável, um ambiente que favorece as escolhas saudáveis, que não é ‘obesogênico’, esse indivíduo vai ter mais facilidade de adequar alguns hábitos e atitudes para poder romper esse ciclo”, reforça a nutricionista.
Além dos aspectos culturais e sociais, a profissional lembra que o econômico também chama bastante atenção, especialmente hoje em dia. De acordo com ela, pessoas com pouco acesso aos alimentos e com baixo poder aquisitivo têm feito o uso e o consumo de alimentos não saudáveis, como os ultraprocessados, e também têm apresentado altas taxas de obesidade.
Esse contexto remonta à questão inicial sobre o sistema alimentar, que impacta diretamente na disponibilidade dos alimentos para as pessoas. Com isso, a profissional enumera ainda dois grupos que envolvem a má nutrição: quem tem acesso e não consegue fazer escolhas saudáveis e quem não pode escolher o que come, restringindo a sua alimentação ao que estiver disponível no momento.
Da Redação
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