Não foi o craque da bola, nem o craque do estudo na escola. Foi o crack que é a droga da moda, e as “pedras” baratas e seu efeito avassalador, que podem ser encontrados em qualquer esquina de João Pessoa, que levou meu primo Michel .”Esquina paranóia delirante”.

Jovens condenados, famílias destruídas. O crack é a droga mais perigosa da atualidade, com efeito, avassalador, não nos usuários, mas também em toda sociedade. O crack é o grande responsável pelo aumento de violência nas grandes metrópoles, o maior motivo de assassinatos. Atalho para o cemitério, sua própria desgraça, o crack mata.

Ontem tive o segundo grande choque da minha vida. Michel, meu único primo por parte de pai, morreu vítima do consumo de crack.

Menino bonito, criado na praia de Cabo Branco, partiu aos 27 anos.

Puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuutz!

Sinto-me impotente sim e com sentimento de culpa, por ter perdido esta outra guerra.

Sempre visitava Michel, e falava olho no olho:

– Meu irmão, você vai morrer!

Ele sempre sorria. Um sorriso distante. Depois da separação entrou de cabeça nessa viagem sem volta. Inteligente, culto, bem informado. Michel foi vítima de si mesmo.

O crack por ser mais barato que a cocaína, seus efeitos também duram menos. Por ser estimulante, ocasiona dependência físico-química imediata e, posteriormente, a morte por sua terrível ação sobre o sistema nervoso central e cardíaco. Por diversas vezes encontrei Michel fumando seu cachimbo na casinha do cachorro. Meses atrás, me deparei com Michel e uma amiga. Uma menina linda, fumando crack na casinha do cachorro. Mesmo ainda garoto, ele ultimamente tinha aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, constantes dilatação das pupilas, suava intensamente, tinha tremores e muita excitação.

Além da dependência química do Crack, Michel costumava consumir junto com o álcool. O que levou a resultados letais.

Michel sempre falava dos “prazeres físicos e psíquicos” que a droga provocava. Dizia ele que o tal “barato”, chegava rápido com uma pedra de crack, os sintomas da síndrome de abstinência também não demoravam chegar. Em 15 minutos, surgia de novo uma necessidade enorme de inalar a fumaça de outra pedra, caso contrário, inevitavelmente era abatido de um enorme desgaste físico, a prostração e a depressão profunda.

Meu tio Hailton, pai de Michel tava ontem arrasado, narrando o inconformismo de enterrar o filho, mudando a lógica da história.

Lembrarei do Michel que vi nascer em dezembro de 1981, que tinha como música de ninar o sucesso de Lennon [Beatles] Beautiful Boy (Darling Boy).

Close your eyes [Feche os olhos] Have no fear [Não tenha medo] The monster’s gone [O Monstro se foi]
He’s on the run and your daddy’s here [Saiu correndo e seu pai esta aqui] Beautiful, beautiful, beautiful  
Beautiful Boy.

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