Uma reportagem exibida pela TV Cabo Branco na noite desta quinta-feira (26) trouxe relatos de médicos do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, localizado em Santa Rita, na Grande João Pessoa, sobre possíveis inconsistências em laudos de exames de imagem emitidos por empresa contratada para prestar o serviço à unidade.
De acordo com os profissionais, que preferiram não se identificar, as divergências teriam sido percebidas após a mudança no modelo de emissão dos laudos, ocorrida em outubro do ano passado, quando o serviço passou a ser realizado por empresa especializada. Antes, os exames eram laudados por radiologistas da própria unidade.
O hospital é referência em cardiologia e neurologia na Paraíba e realiza diariamente um grande volume de exames. Segundo os relatos, algumas interpretações apresentadas nos laudos teriam gerado questionamentos por parte das equipes assistenciais, por impactarem diretamente a definição do diagnóstico e da conduta clínica. Um dos médicos citou como exemplo um caso envolvendo suspeita de aneurisma, ressaltando a importância da precisão técnica em situações de alta complexidade.
Outro profissional afirmou que, com a mudança contratual, os radiologistas da unidade deixaram de ser responsáveis pela emissão dos laudos dos pacientes internados. Ele destacou que a alteração foi definida pela gestão administrativa, dentro de um novo formato de contratação do serviço.
O Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) informou que foi procurado por profissionais da unidade para relatar a situação. O presidente da entidade, Tarcísio Campos, avaliou que é importante que os questionamentos sejam apurados, a fim de garantir segurança e confiabilidade nos atendimentos.
O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) comunicou que realizou uma visita de fiscalização ao hospital nesta quinta-feira (26) e que deve divulgar relatório sobre a averiguação.
Em nota, o Hospital Metropolitano, administrado pela Fundação PBSaúde — vinculada ao Governo da Paraíba — informou que conta com uma central de laudos composta por quatro empresas credenciadas, responsáveis pela emissão de exames de Ressonância Magnética, Tomografia Computadorizada e ultrassonografia, atendendo unidades distribuídas nas três macrorregiões do estado.
Segundo a fundação, o modelo foi adotado com o objetivo de garantir maior agilidade na liberação dos resultados, atendimento contínuo à população e suporte especializado às equipes médicas. A PBSaúde destacou ainda que, na prática médica, podem ocorrer divergências de interpretação, especialmente em exames de maior complexidade, e que o laudo é um ato técnico de responsabilidade do profissional que o assina.
A gestão reforçou também que a definição da conduta clínica cabe à equipe assistencial, com base na avaliação completa do paciente — incluindo exame físico, histórico e demais informações clínicas — sendo o laudo de imagem parte integrante, mas não exclusiva, do processo diagnóstico.
A direção da unidade permanece à disposição dos órgãos competentes para prestar esclarecimentos e colaborar com eventuais apurações.
Redação








