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Pandemia atrapalha rotina de tratamento de pacientes com câncer

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O medo, o receio da contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19) tem alterado a rotina de todos. A hashtag #Fiqueemcasa virou bordão das autoridades em saúde pública diante da atual crise sanitária que aflige o mundo. No entanto, o mesmo #Fiqueemcasa tem reduzido a realização de exames para diagnósticos de doenças graves, como o câncer, por exemplo, nas unidades de saúde.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a pandemia se tornou um obstáculo a mais na vida daqueles que precisam dar sequência ao tratamento oncológico. Segundo pesquisa publicada pela  OMS na última segunda-feira (1º), dezenas de países tiveram o acesso a esse tipo de serviço abalado pelos efeitos da Covid-19. O estudo realizado em 155 países durante três semanas constatou um impacto global, principalmente, nos países de baixa renda.

Na Paraíba, a redução na manutenção da rotina de tratamentos oncológicos também foi observada. Ao PB Agora, o doutor Thiago Lins Almeida, coordenador do Projeto de Educação Continuada em Oncologia Clínica e Cirúrgica (ECOCC), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e professor da disciplina de Oncologia no curso de Medicina da instituição, revelou que o fenômeno é mais um dano social causado pela atual crise sanitária. Professor Thiago destacou que o câncer não segue o calendário imposto à sociedade pelas medidas de isolamento social, desta forma, a realização de exames para o diagnóstico da doença e os procedimentos para o tratamento precisam continuar. “Com a pandemia da Covid-19, muitos serviços precisaram se readequar e a população também ficou receosa em procurar atendimento com o oncologista e realizar seus exames preventivos.  Precisamos lembrar que o câncer não obedece a quarentena e devemos manter o contato com o médico para decidir o melhor momento da realização da consulta e dos exames”, explicou.

O contato com o médico deve permanecer mesmo durante o isolamento e, para isso, doutor Thiago Lins argumenta que a tecnologia pode ser uma parceira, já que a telemedicina (conversa com o profissional da saúde através de videoconferência) pode atuar no acompanhamento e na decisão pela realização ou adiamento de exames e cirurgias. “Essa definição deve ser profissional porque alguns exames e tratamentos não podem ser adiados. Os grandes hospitais e as clínicas especializadas no diagnóstico e tratamento do câncer já estão adaptadas e prontas para proteger os pacientes e seus funcionários também”, disse.

A pesquisa feita pela OMS revelou que 42% dos países pesquisados  interromperam parcial, ou até mesmo completamente, os serviços para tratamento do câncer. Além disso, o paciente oncológico está inserido no grupo de risco para a pandemia, o que resultou no afastamento dessas pessoas das unidades hospitalares. “O medo sempre nos atrapalha no dia a dia. Em especial, quando falamos em câncer na era Covid. Precisamos evitar o adiantamento de diagnósticos e de tratamentos contra o câncer nesse momento de pandemia, porque podemos estar permitindo que o câncer se espalhe por todo o corpo. E isto é muito temerário, uma vez que reduz muito a chance de controle e cura”, alertou o médico.

Na necessidade de um diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento e a cura, o #Fiqueemcasa não deve ser primordial. Professor Thiago Lins acrescenta que as chances de cura e resolução da doença são muito elevadas se diagnosticado inicialmente. Porém, se essa decisão for adiada em razão da pandemia, como tem sido o caso, o resultado, em breve, poderá ser a elevação dos números de pacientes oncológicos. “Poderemos  nos deparar com o câncer em seu estágio mais avançado ou sem possibilidade de tratamento cirúrgico ou antineoplásico”.

Mesmo focado no enfrentamento à pandemia, o professor Thiago Lins esclarece que o poder público, no que se refere à saúde e, em especial, a saúde oncológica, está otimizando sua articulação nas três esferas, bem como, mantendo o diálogo com o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e o Hospital Napoleão Laureano, referência no estado. “A dificuldade de transporte, acesso e logística veio para todos, bem como para o setor público e setor privado. Neste momento, precisamos unir forças para não sermos surpreendidos com uma grande população de câncer intratável nos próximos anos, após o controle da Covid-19. Afinal, grande parte da população será curada dessa doença, mas o risco de termos câncer permanecerá”, analisou.

Manter o isolamento e respeitar as ações de distanciamento, podem sim ser vitais para o paciente em tratamento do câncer, no entanto, a interrupção desse tratamento ou o adiamento de um possível diagnóstico não devem ocorrer, explica o professor da UFPB. “Por isso, precisamos analisar individualmente qual o melhor benefício em manter o tratamento e quais malefícios podemos ter em adiá-lo. Estamos vivendo um cenário novo de conjunção de uma pandemia (Covid-19) e uma endemia (câncer), e precisamos decidir pelo melhor ao paciente. Vale salientar, que mesmo em lockdown, esta população está autorizada a manter seu tratamento”, declarou o coordenador do ECOCC-UFPB, que visando contribuir com esses pacientes, abriu um canal de comunicação com a sociedade para orientações e esclarecimentos durante a pandemia. Dr Thiago explica que basta o usuário entrar em contato pelo perfil @ecocc no Instagram para ter suas dívidas sanadas.

É necessário que todos, inclusive o paciente oncológico, que busquem se adaptar a esta nova realidade, afirma o professor, até porque ainda não se sabe quando toda a situação estará normalizada. Os cuidados adotados por estes pacientes para a prevenção contra o novo coronavírus deverá ser permanente, alertou o coordenador do ECOCC, Thiago Lins. “Devemos manter os cuidados de proteção contra a Covid-19 e também manter os cuidado preventivos contra o câncer, como: boa alimentação, praticar atividades físicas e realizar sim os exames complementares de prevenção para diagnóstico precoce”.

 

PB Agora

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