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Zé Luiz: emblema da humilhação

Os episódios envolvendo o vice-prefeito de Campina Grande, José Luiz Júnior (PSC), são exemplos grotescos do que é a política, um jogo sujo, de interesses mesquinhos, onde as pessoas só valem pelo que podem oferecer, sendo tratadas como objeto descartável se pouco ou nada têm a dar.

Mesmo tendo usado o apropriado termo “cachorrada” para se referir ao trato que está recebendo do próprio partido, Zé Luiz ainda foi contido nas palavras proferidas, já que a verdade é que ele enfrenta publicamente um processo de humilhação deplorável e impressionante.

Além de ser um vice sem prestígio, que na eleição passada se manteve na posição fazendo força para não ser defenestrado, Zé foi afastado da direção do programa “Fome Zero” na Cidade, função que era a menina dos seus olhos, por decisão do prefeito Veneziano Vital. Decisão que o vice, submisso, acatou, mas nunca digeriu.

Tencionando disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, não recebeu o apoio político de Veneziano, sem o qual viu minguarem as possibilidades de êxito em outubro. Mas ele mesmo, num gesto aparente de apaziguamento, faz questão de eximir o prefeito de responsabilidades nesse caso, por meio de ponderações que lembram malabarismo.

Segundo analisa, como estava com a situação indefinida, enquanto Veneziano não resolvia se renunciava e lhe entregava a prefeitura, o espaço vago, no caso uma candidatura com apoio da família Vital do Rêgo, foi preenchido, provavelmente por Ana Cláudia, esposa de Veneziano. Ilógico, porque sua própria indefinição se deu por conta da “indefinição” de Veneziano.

Sem prefeitura, sem apoio para a eleição, a convivência de José Luiz Júnior na função de vice, ante o mau ambiente gerado, tornar-se-ia um fardo para ele mesmo e para o prefeito. A saída veio do convite do governador José Maranhão, para que assumisse uma secretaria no Estado. Parecia que recebera, enfim, um lenitivo, mas o resto da história todo mundo já sabe.

Seria estranho, estranhíssimo, que o PSC, através de seu próprio presidente, Marcondes Gadelha, entregasse a outro partido, no caso o PT, uma secretaria oferecida à legenda pelo governador, sabendo todos que os partidos se engalfinham por espaço dentro de quaisquer governos, quanto mais no primeiro escalão. Seria estranho, estranhíssimo, não fosse o pressuposto que mencionamos no primeiro parágrafo deste texto.

Marcondes Gadelha não se dá que a secretaria saia das mãos do PSC para o PT. O que enxerga é que continuará nas mãos de um Gadelha, seu irmão, Renato – antes era dirigida por outro Gadelha, Leonardo, filho de Marcondes. Se, para isso, é necessário passar por cima de Zé Luiz, que, com afagos, recebeu na legenda Marcondes, em mais uma de suas migrações, Gadelha não viu problemas.

Acrescente-se a tudo isso o ataque vil que o vice-prefeito de Campina Grande tem recebido, sendo dado praticamente como moribundo por figuras e setores da mídia e da política. Hoje, aliás, Zé Luiz concedeu entrevista por telefone ao programa “Fogo Cruzado”, da rádio Cariri. Uma hora antes, divulgavam em outra emissora que ele estava internado, inclusive recebendo transfusão de sangue.

Não importa se José Luiz Júnior, na política, é mocinho ou bandido – se é que alguém ainda acha que existem mocinhos e bandidos nesse meio. Importa que esse tipo de baixeza de que tem sido vítima, junto com sua família (imagine uma esposa, filhos, netos, tendo seu ente dado na mídia como à morte) é prova de que a política torna-se um jogo torpe e sem limites.

De qualquer forma, no tocante ao caso da secretaria, o vice campinense só não assume se o governador não quiser. Zé Luiz, certamente, espera contar com o apoio de Veneziano desta vez. O que, provavelmente, explica suas palavras ainda comedidas sobre a relação entre os dois.

Isso ou, talvez, como homem que faz questão de anunciar sua fé, José Luiz Júnior esteja praticando o verso bíblico que diz: “O que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mateus 23.12).
 


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