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Vereadora administra município de Esperança até novas eleições

Em Esperança a administração local está por conta da presidente da Câmara Cristiana Almeida (PSB). Mesmo que interinamente, ela, que é a primeira mulher a administrar o município, disse que não tem levado em consideração essa condição. “Não estou indo para Prefeitura me baseando em governar por uma semana, ou duas. Quando assumi, pensei que fosse passar apenas um dia como prefeita, mas já estou há quase um mês, e tenho enfrentado grandes desafios, pois a gestão de uma cidade é muita complexa”, frisou.
 

 

A prefeita destacou que tem governado com “pé no chão”. “Nomeei meu secretariado, contratei médicos e pessoal de apoio, que ao todo dão cerca de 100 pessoas, e é com eles que estou fazendo os serviços essenciais andarem. Tenho muito a aprender, mas não quero que a população tenha nenhum prejuízo enquanto a justiça não toma uma decisão. Estou fazendo o que posso, sem extravagâncias, sem exageros, com pé no chão. Estou trabalhando como se esse dia fosse o último da minha gestão”, sentenciou Cristiana, que essa semana irá a Brasília assinar convênios e um termo de cooperação com o Ministério das Comunicações.

Antes de se candidatar, Cristiana trabalhava em um programa social de Esperança, e entrou na disputa por uma das vagas do legislativo municipal a pedido do seu grupo político, que precisava atingir o percentual de 30% de mulheres na coligação. Mesmo sem aceitar de imediato a ideia, ela terminou concordando. “Acabei sendo eleita vereadora, em seguida fui escolhida para presidir, sendo a primeira mulher a chefiar o legislativo, e logo depois, recebi a missão de governar Esperança interinamente. Foi tudo muito rápido e intenso, mas estou dando conta do recado com a ajuda de todos os secretários”, destacou.
 

 

Em Esperança a juíza da 19ª zona eleitoral, comarca de Esperança, Lua Yamaoka Mariz, decidiu por novas eleições na cidade de Esperança, ao impugnar o registro de candidatura de Anderson Monteiro (PSC), por ele ter uma condenação transitado em julgado, sendo enquadrado na lei da Ficha Limpa. Já Nilber Almeida (PSB), teve o registro impugnado por não ter apresentado a documentação necessária dentro do prazo previsto por lei. “Estamos aguardando a decisão do TRE, e confiante que Nilber sairá vitorioso nesse processo, pois a documentação requisitada foi apresentada em tempo hábil”, disse o advogado Manollys Silans.

Enquanto isso, a população aguarda por uma decisão para saber quem será o prefeito até 2016. “Essas pendências deixaram todos muito confusos. Estou com 66 anos e nunca tinha ouvido falar em votar em um candidato e não ter seu voto validado. A lei tem que mudar porque a gente não pode viver dessa forma, sem saber quem de fato é o prefeito”, disse a aposentada Ana Pereira Silva.
 

 

O autônomo Manoel Ferreira disse que até hoje não entendeu o que ocorreu na cidade, e que torce para que a legislação eleitoral se aprimore. “É difícil entender que em pleno século XXI, ainda estamos tendo que passar meses sem ter conhecimento de quem de fato é o prefeito da cidade. Em alguns aspectos a lei avançou, mas deixou brechas para que os políticos façam manobras como essas”, analisou.

A reportagem do Jornal Correio tentou entrar em contato com Anderson Monteiro e com seus advogados, mas não obteve êxito.

 
 

Interinos podem disputar

A experiência de chefiar o executivo municipal, mesmo por um curto período de tempo, já desperta nos “interinos” a vontade ir mais longe para cumprir um mandato de quatro anos, e assim, colocar em prática os projetos que têm em mente. Caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determine a realização de novas eleições, eles não descartam entrar em uma nova disputa.

“Eu tendo dito que estou à disposição do meu grupo político e principalmente do povo, e se for a vontade da população de Esperança, estarei pronta para entrar em uma nova disputa e desenvolver um mandato sério e comprometido com as questões sociais. Nesse momento estou aproveitando a oportunidade para fazer a diferença a frente da Prefeitura, mostrando a minha capacidade de governar”, disse Cristiana.

 
 

O prefeito interino de Barra de Santana, Amauri Ferreira, afirmou que é cedo para tratar do assunto, mas não descarta a possibilidade de se lançar candidato. “Hoje estou governando com o apoio do povo e tenho aceitação popular até mesmo dos meus adversários, que são testemunha do meu empenho e assim, encontrar solução para os problemas do município. Ao assumir, entrei com o pensamento de fazer algo muito maior pela cidade, mas não estou tendo condições para isso, diante do quadro que encontrei. Porém, caso seja convocada uma nova eleição, o candidato será definido pelo grupo e pela população”, frisou.

Já Rogério Martins não pensa em entrar na disputa de um novo pleito, e disse que caso haja uma nova eleição os aliados da ex-prefeita Polyanna, deverão ter um nome de consenso. “Nesse momento não passa pela minha cabeça disputar a eleição, quero voltar para a Câmara. Se tivermos uma nova eleição, será decidido por um grupo, onde todos os líderes serão ouvidos”, destacou.

 
 

MP defende mudança na lei

 
 

A promotora de Esperança, Paula da Silva Camilo Amorim, defende mudança na legislação para que as substituições de candidatos ocorram em tempo hábil para análise de toda documentação e para que a população saiba com antecedência quem de fato será candidato.

“Essas mudanças de candidatos na última hora causam desorganização administrativa. As pessoas vão às urnas, votam em um candidato, mas na verdade outro está sendo eleito. Depois começa uma batalha judicial deixando a população receosa, sem saber quem de fato irá administrar. É preciso que haja uma alteração na legislação”, frisou. Destacou que o caso de Esperança só ocorreu em consequência da aplicação da Lei da Ficha Limpa, o que ela considera um avanço.

“Toda essa confusão no município de Esperança tem seu lado positivo, pois só aconteceu porque o candidato Nobson Almeida foi enquadrado na ficha limpa, o que está sendo bastante importante para o país. Aos poucos a Justiça Eleitoral vai aprimorando a legislação, e chegará a um ponto em que toda essa instabilidade poderá ser evitada”, analisou, acrescentando ainda que o TSE já trabalha no sentido de criar uma resolução para que as alterações e renúncias não ocorram na véspera das eleições, evitando manobras dos partidos e coligações.
 

 

O promotor da Comarca de Boqueirão, Arlindo Almeida, que atuou no caso do município de Barra de Santana, também defende mudanças na legislação. “Barra de Santana ficou acéfala, sem um mandatário, sem alguém que de fato governe. O presidente da Câmara assumiu, mas não sabe por quanto tempo ficará a frente da administração, e dessa forma, não pode fazer nenhum planejamento, está resolvendo as coisas de imediato e tem como consequência uma descontinuidade das ações no município, o que não é bom para a democracia”, considerou.
 

 

Ele destacou que a Justiça Eleitoral, em casos como os de Pombal, Esperança e Barra de Santana, as decisões fossem tomadas de forma mais célere. “O ideal seria que quando houvesse indeferimento dos registros, houvesse decisão imediata, com muita agilidade, ocorrendo julgamento sem danos para a população, mas infelizmente a lei é essa e os candidatos se aproveitam dessas situações para postergar as decisões, causando um enorme prejuízo”, declarou.

 

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