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Veneziano fica; Vitalzinho disputa o Senado

Buscando minorar o prejuízo eleitoral em Campina Grande, o governador José Maranhão, desta vez, esforça-se para arregimentar para sua chapa um campinense de peso. São as lições de 2006, quando, no segundo turno contra Cássio Cunha Lima, Zé perdeu na cidade por uma diferença de quase oitenta mil votos ou, em índices percentuais, elevadíssimos 38,5%. Ciente de sua substancial rejeição em Campina, o governador já foi claro e direto sobre que nome desejaria ter consigo nas disputas de 2010: Veneziano Vital do Rêgo.

O sonho de Maranhão, entretanto, não deve se concretizar. Para a função de candidato a vice, o prefeito de Campina Grande jamais demonstrou interesse. Quando descartou a possibilidade, a alegação de que o fazia em respeito a Luciano Cartaxo foi apenas uma escusa nobre, um jeito de rechaçar uma oferta que não atraía e ainda fazer um afago no petista. Um revés para Zé, porque Veneziano como vice seria a sua melhor possibilidade de angariar mais vultosa votação em Campina – afinal, um vice sempre pode chegar à titularidade. Entretanto, a possibilidade que o próprio Veneziano deixou aberta foi a candidatura ao Senado. E mesmo isso deve acabar não acontecendo.

Para entrar nessa disputa, Veneziano teria que abandonar a prefeitura de Campina Grande, rompendo um processo administrativo e renunciando a um cargo de destacada relevância política, que o mantém em constante evidência no Estado. Abriria mão de dois anos e meio de um mandato que conquistou numa eleição sobremodo sofrida, e ainda teria de entregar a prefeitura a José Luís Júnior em quem, dizem muitos, não investe segurança. Além disso, para alguém que visivelmente tem um projeto e um perfil executivo, permanecer na prefeitura de Campina gera mais impacto político direto do que a atuação na distante Brasília, porque, estando aqui, lida-se continuamente com o povão.

Pesaria a favor da candidatura o fato de que, permanecendo prefeito, ficará dois anos sem mandato eletivo, de 2013 a 2014. Mas a falta de mandato não quer dizer inatividade política e, ademais, caso concorra ao Senado e perca, seriam não dois, mas quatro anos sem função eletiva. No fim, os cálculos de prós e contras devem redundar na permanência de Veneziano Vital em Campina e o candidato natural a senador, desta feita, é o deputado federal Vital do Rêgo Filho. Fica tudo em família, na estratégia “Vitalzinho lá, Vené cá”.

Vital Filho já está em Brasília, logo, se eleito, precisaria apenas mudar da Câmara para o Senado. É pertinho, dá para levar a mudança na mão. Ele tem se mostrado identificado com o trabalho no Congresso, foi o deputado federal paraibano que mais projetos de lei apresentou em 2009 e, principalmente, sua candidatura não padece de todos os dilemas que permeiam 2010 para Veneziano. Em situações assim, é mais seguro – e provavelmente sensato – consolidar que arriscar.

Agora, se Vitalzinho candidato ao Senado e Veneziano labutando em prol do nome de José Maranhão vão mesmo conseguir melhorar o desempenho do governador nas urnas de Campina Grande – e quanto conseguirão –, é outra história. Outra longa história.
 


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