Acho que o movimento dos policiais que paralisaram atividades, ainda no governo Cássio, em busca de melhorias salariais não foi política, no sentido pró-Maranhão. Tanto que a trégua foi curta e eles já ameaçam nova greve, acusando o governo atual de discriminação. É que o secretário de Segurança Pública, Gustavo Gominho, anunciou que primeiramente irá tratar a questão dos delegados para, em seguida, resolver a situação dos demais integrantes do sistema de segurança pública, segundo denuncia nota divulgada pela Associação dos Policiais Civis. Ou seja, primeiro “a elite” da corporação, depois “o resto”.

     Pode ser que, após as derrotas eleitorais sofridas para Cássio Cunha Lima, o governador José Maranhão tenha aprendido algo mais sobre democracia, negociação, entendimento. Desta vez – quem sabe? – ele não irá colocar tanques do Exército nas ruas para amedrontar os policiais. Afinal, ele bem sabe o que é lutar para reverter um quadro adverso por se achar injustiçado.

     Certamente muitos não acham que Maranhão foi injustiçado, mesmo assim ele acha que foi. Certamente, também, Maranhão não acredita que os policiais sejam injustiçados, mas a classe acredita que sim. É uma questão de ponto de vista que precisa ser tratada com discussões, negociações e paciência.

     De uma coisa Maranhão não pode acusar o ex-governador: de não ter deixado dinheiro em caixa. Apesar dele repetir, como um mantra, que o Estado não tem caixa pra nada, há documentos que provam, por A + B, que recursos mais que suficientes foram deixados nos cofres. Aumentos salariais foram dados. E, mesmo assim, o pagamento da folha foi deixado rigorosamente em dia.

     Se não quiser dar aumento salarial aos delegados e ao “resto” da polícia, que o governador saque do colete alguns bons argumentos matemático-financeiros ou comparativos, uma vez que várias outras categorias também se sentem injustiçadas e o governo não terá, certamente, condições de atender aos anseios de todos. Levar tanques às ruas – acredito eu – deve estar fora de cogitação para um governo que promete mundos e fundos aos paraibanos.

     Acreditemos, pois, que Maranhão aprendeu a conversar com os servidores estaduais.

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