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Um homem do norte

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Concluo minhas impressões sobre Portugal com o título acima, inspirado em conversa com um taxista lisboeta quando soube que iria à cidade do Porto, situada no norte do país e vista parcialmente na foto ao lado.

Não só por conta do futebol dos grandes times portugueses de Lisboa, notadamente, “Benfica e “Sporting””, em face do “Clube do Porto”, este vencedor do último campeonato nacional, o fato é que culturalmente falando, existe certa rivalidade entre o sul onde está Lisboa e o norte que abriga a linda cidade do Porto, a segunda maior do país.

Cortada pelo belo Rio Douro,  acariciada ao longe, de um lado, pelo Oceano Atlântico, onde também desemboca o rio de margens íngremes e que tem elevadas pontes a uni-las, é uma cidade encantadora e da qual gostei muito.

Seu moderno aeroporto é ‘hug’, ou seja, concentra operação de diversas companhias aéreas “low cost”, no termo em inglês, que significa ‘baixo custo’, sendo possível conectar-se através delas aos outros países da Europa.

Entretanto, a TAP voa para diversos destinos, a exemplo de Paris, Roma, Milão e Madri, e geralmente seus preços são melhores dos que de companhias que operam vôos que partem de São Paulo ou Rio.

Mas, dizia-me aquele motorista que os nascidos nas bandas do Porto gostam de dizer “eu sou um homem do norte” para diferenciar-se dos sulistas de Lisboa, querendo com isso afirmar que seriam mais autênticos, lutadores e acolhedores, aspectos que na minha breve passagem de três dias na cidade não tive condições de julgar.

No entanto, um aspecto chamou-me a atenção, pareceram-me realmente mais acolhedores e prestativos dos que os lisboetas. Às vezes, quando estabelecia certa empatia com as pessoas e elogiava a cidade, gostava de dizer "que já estava me sentindo quase um homem do norte” e estas, surpresas, abriam largos sorrisos.

Como se sabe, a região é berço do tradicional vinho do Porto, ali fabricado e vendido há séculos e que de algumas décadas para cá tem, também, produzido excelentes vinhos tintos e brancos nas suas muitas vinícolas.

Possui quase dois milhões de habitantes, uma ótima Universidade fundada em 1911 que visitei e que celebrou seu centenário sob o seguinte lema: “Ao tempo da memória juntamos idéias para o futuro”. Nela estudam, também, muitos brasileiros.

A região conta com excelente culinária à base de peixes, frutos do mar, bacalhau e carnes e sua rede hoteleira é vasta, com opções para todos os orçamentos.

Por querer ficar no centro da cidade, optei pelo tradicional “Grande Hotel do Porto”, mobiliado em estilo inglês, que já hospedou muita gente importante e continua muito bom. No restaurante, chamou-me à atenção uma parede onde foram postos retratos da família imperial brasileira, com destaque para o imperador D. Pedro II e seus descendentes.

Às margens do Douro são cultivadas vinhas e há muitas vinícolas de fácil acesso a partir da ‘Vila Nova de Gaia’, situada num de seus lados, com opções de passeios de barco e de trem até Peso da Régua, cidade antiga e sede da tradicional vinícola “Quinta da Pacheca” e também de mini-cruzeiros em barcos maiores que percorrem o Rio e vencem seus obstáculos naturais através de sistemas elevatórios de comportas.

No histórico e elegante “Café Magestic”, situado no agradável passeio em frente ao hotel pode-se saborear um bom café com os variados quitutes portugueses e também almoçar e jantar, havendo inúmeros outros restaurantes próximos. Para jantar há restaurantes que possuem além de boa comida uma bela vista de cartão postal da cidade iluminada, como retratado acima e ao lado do texto.

Próximo do hotel, numa esquina, havia um sofrido homem do povo que executava uma triste e invariável melodia em seu velho acordeon que mais parecia um rosário de amarguras desfiado desde a manhã até o tardio apagar das horas e que contrastava com a alegria e bucolismo do lugar como que para nos lembrar que nem tudo ali era festa.

O comércio da cidade é bem variado, com lojas de rua e em shoppings, inclusive do homônimo lisboeta “El Corte Inglês”, sendo de destacar que os preços – assim como em Lisboa – são melhores do que os de Paris e Londres, por exemplo.

No entanto, além de algumas camisas polo, para repor as que iam sujando, minhas compras foram mesmo de vinho e de lá saí com algumas garrafas especiais na bagagem rumo à Paris, que está a pouco mais de duas horas de vôo.

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