O governador José Maranhão acertou na escolha de Romeu Lemos para o Turismo. O cara entende do assunto, é empresário de sucesso no ramo de restaurantes e tem verdadeira paixão pelo turismo.

    Pois bem: na manhã de hoje, em uma das rádios que não consigo lembrar qual, ainda peguei o finalzinho de sua entrevista. Dizia ele que não se pode comparar o turismo paraibano com o do Rio Grande do Norte e Pernambuco. “Nosso turismo é de famílias, mais tranquilo, e devemos alimentar isso, porque são turistas do bem que vêm pra cá e não turistas em busca de sexo”, disse ele.
   

    Está certíssimo com relação à qualidade dos turistas. Mas não há como não se fazer comparações. Afinal, nem todos os turistas de Natal e Recife vão em busca de carnaval e sexo. Também há várias famílias que são induzidas por agências de turismo de outros Estados a buscarem Recife e Natal como destinos no Nordeste, simplesmente ignorando João Pessoa.
   

    Quando eu assinava coluna política no bem conceituado Jornal da Paraíba eu dizia, sobre o assunto, que não entendia por que Natal, que não é mais bonita que João Pessoa, consegue tirar leite de pedra e vender como grande novidade coisas até bem esquisitinhas, como por exemplo as “dunas douradas”, que na verdade não passam de dunas barrentas. “Aqui não temos apenas dunas brancas, temos as douradas. Olhem que maravilha”, dizia um daqueles bugueiros, tentando convencer um grupo de turistas paraibanos a contemplar aquele “espetáculo da natureza”.
   

    Ali, inúmeros hotéis são construídos à beira-mar, embora a beleza da maioria daquelas praias onde estão hospedados os turistas é praticamente nula – não existe margem de areia, o turista fica praticamente confinado no hotel e busca outras praias mais distantes para se divertir. Mas acha tudo lindo, maravilhoso e ainda pretendem voltar.
   

    Em Recife, as praias centrais são terríveis. Em João Pessoa, temos lindas praias centrais, mar de águas quentes, passeios a Areia Vermelha e Picãozinho, além de outras mais distantes e não menos maravilhosas, especialmente no litoral sul. Sem falar no ponto extremo oriental das Américas. Por que tanta dificuldade em se vender isso?
   

    É claro que as ações do governo Cássio e do prefeito Ricardo Coutinho contribuíram muito para um maior incremento do turismo. Mas os resultados desse esforço ainda estão longe do ideal. É claro que ainda é preciso fazer muito mais – oferecer maior segurança ao turista, iluminar bem todas as praias (ruas escuras enfeiam a cidade e atraem assaltantes) e principais ruas do Centro, trocando aqueles postes horrorosos por outros mais modernos; capacitar melhor garçons e atendentes nos hotéis e restaurantes; enfim, criar uma cultura voltada para mimar o turista.
   

    Com a duplicação da BR 230, o fluxo de turistas será facilitado. Cabe às autoridades do turismo – do Estado e do Município – saberem aproveitar isso. Bons nomes na área nós temos. Boas intenções também. Mas de boas intenções o inferno está cheio e os hotéis, vazios.

Hotéis

    No pico do verão, até que os hotéis ficam cheios. Mesmo porque eles são poucos.

 

Em tempo

    Romeu Lemos já foi da equipe de Ricardo Coutinho, mas sua nomeação pelo governador Maranhão não chega a ser uma provocação ao prefeito da Capital. É que Lemos já vinha, gradativamente, se afastando do “mago”. Na última campanha eleitoral, percebia-se sua falta de entusiasmo.

 

 

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