Categorias: Política

Trair é privilégio dos amigos

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Trair não é uma ação que se atribui a qualquer um. É privilégio dos amigos. Por isso que a expectativa que se cria sobre os aliados do ex-governador Cássio que já estariam arrumando as malas para embarcar na jornada Maranhão III, “a volta do retorno”, é inócua. Serão poucos os traíras. Exatamente porque são poucos os aliados verdadeiros do ex-governador, ou de qualquer um que sorve minutos de glória no poder. Ora, parte da base que deu fundamentou o governo Càssio I e (meio) II veio exatamente da trajetória de Maranhão.

O que dizer do DEM do senador Efraim Morais, só pra citar o primeiro caso de rompimento maranhista e adesão cassista pós-98. Não que haja sinal de enfraquecimento por parte de Efraim, quem tem se mantido firme ao lado da base do governador. Mas é possível que o senador tenha que enfrentar certa discussão dentro da militância democrata, já que, como diria a Bíblia, a carne é fraca. Na Assembléia, os exemplos de maranhistas que viraram cassistas são muitos.

Nenhum deles tem, portanto, obrigação de manterem-se fiéis a Cássio, Simplesmente porque, vou repetir, fidelidade é privilégio de amigos. E muitos deles não o são. Ora, dá pra contar nos dedos os deputados da base de Cássio que defendiam o ex-governador durante esses seis anos com unhas e dentes na tribuna da Casa. Poucos deram, por exemplo, a cara para bater e enfrentaram o Sistema Correio da Paraíba. Entre eles, Ricardo Barbosa, Arthur Cunha Lima, Zenóbio Toscano e Romero Rodrigues.

Boa parte dos deputados agia como se estivesse num submarino, às escondidas. Votavam a favor dos projetos do governo. Cobravam, em obras e ações, por isso e pronto. Nada mais do que isso. Não foram amigos de Cássio. Foram profissionais. Portanto é muito provável que a maioria dos cassistas, em algum tempo, reproduzam um ciclo natural na política.

Primeiro ato: passam a fazer corpo mole na oposição, evitando críticas e ataques ao novo governador. Segundo ato: formam uma espécie de bloco independente e passam a votar com o novo governo “quando for bom para Paríba”. E, por fim, anunciam adesão por completa à bancada governista de Maranhão. Tudo isso aos olhos do saudoso Epitácio Pessoa, que dá nome ao Poder Legislativo estadual, e sem constrangimento algum. Porque, como disse, são amigos do poder. Não de Cássio.

Seria correto chamar de traição o rompimento de um Cícero Lucena, de um Ricardo Barbosa ou de um Romero Rodrigues. Esses são amigos de Cássio. Estarão com ele em qualquer ocasião. Inclusive, na hora do retorno. 

Soltas 

amizade – Foi longa e muito íntima carta que o arcebispo Dom Aldo Pagotto escreveu para o ex-governador Cássio Cunha Lima. 

recuperação – Ex-secretário-adjunto da Controladoria-Geral do Estado, Nilo Feitosa, se recupera bem no Incor, em São Paulo, de recente AVC que sofreu. Ela deve receber alta após o Carnaval para iniciar tratamento fisioterápico. Não sa sabe se Nilo, que sofreu o AVC no início do mês, tem noção sobre o afastamento de Cássio. Foi preservado da informação.
 

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