Dezenove prisões de funcionários efetivos do Instituto de Previdência de João Pessoa, 22 mandados de busca e apreensão, e 14 conduções coercitivas. Esse foi o saldo da Operação Parcela Débito, deflagrada na manhã de ontem pelo Ministério Público da Paraíba, por intermédio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em parceria com as Polícias Civil e Militar. O objetivo foi apurar fraudes na folha de pagamento do IPM no período de 2012 a 2016 envolvendo recursos de cerca de R$ 25 milhões, podendo chegar a R$ 30 milhões. Quem quer mais investigação sobre o caso é o vereador Tibério Limeira (PSB), que solicita uma auditoria externa nas contas do IPM.
“A Controladoria Geral [da capital] está colaborando com a investigação, mas é preciso haver auditoria externa, isenta, para saber o exato rombo no Instituto de Previdência”. De Tibério Limeira (PSB), ao informar que a bancada de oposição se reunirá segunda-feira para discutir estratégias que deem maior transparência à investigação.
O promotor de Justiça e coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), Octávio Paulo Neto; o controlador- geral do Município de João Pessoa, Severino Queiroz; o delegado do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil da Paraíba (GOE-PCPB), Allan Terruel; o delegado- geral da Polícia Civil, João Alves, e o atual superintendente do IPM, Diego Tavares, deram uma entrevista coletiva à imprensa, no auditório do edifício-sede do MPPB, para anunciar os detalhes da operação.
Segundo o promotor Otávio Paulo Neto, a organização criminosa inseria gratificações irregulares nas fichas financeiras sem que os valores fossem creditados nas contas dos aposentados ou pensionistas, e sim nas contas dos integrantes do grupo. Os envolvidos também aumentavam irregularmente gratificações de aposentados para que os valores fossem repassados a terceiros. Eles ainda mantinham irregularmente pensionistas na folha de pagamento acima da idade- limite, porém desviando os valores para o grupo beneficiado com a fraude.
O delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE), Alan Terruel, disse que todas] as ordens foram cumpridas, com exceção de uma prisão cujo alvo não foi encontrado na residência dele. O delegado afirmou que todas as pessoas detidas e apanhadas por condução coercitiva foram levadas para interrogatório. “Temos no interrogatório pessoas que colaboraram com a polícia e confessaram sua participação no crime e outras pessoas que estão exercendo o direito de permanecerem caladas”.
Os nomes dos envolvidos presos não foram revelados porque as investigações correm em sigilo de justiça. Ainda segundo o promotor, essa fraude deve ter beneficiado centenas de pessoas, mas só as investigações irão revelar o número de envolvidos. Todos os interrogatórios serão analisados e, dependendo dos resultados, outras etapas dessa Operação poderão ser deflagradas. Segundo o promotor, esse é um desdobramento da Operação Pão e Circo deflagrada em 2012.
Redação
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