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O deputado federal e bispo licenciado Marcos Pereira, do Republicanos, nesta quinta-feira (26), em entrevista à Folha de São Paulo, deu declarações que chocaram trabalhadores e jornalistas: afirmou que pessoas de baixa renda “não teriam dinheiro para se divertir” e que, portanto, não precisariam de tempo livre. Ele chegou a dizer: “Qual é o lazer de um pobre numa comunidade ou no sertão do Nordeste?”.
Essa visão é não apenas elitista, mas completamente equivocada. Reduzir o lazer e o tempo livre apenas à possibilidade de gastar dinheiro ignora décadas de conquistas sociais e trabalhistas. Além disso, entra em contradição direta com a Constituição Federal, que no Artigo 6º estabelece os direitos sociais, incluindo educação, saúde, alimentação, moradia, trabalho e lazer. O inciso IV reforça que o salário mínimo deve atender às necessidades vitais do trabalhador e da sua família, incluindo moradia, alimentação, educação, saúde, transporte e…o famigerado lazer.
Marcos Pereira também argumentou que quanto mais trabalho, mais prosperidade, e que os pobres ficariam expostos a drogas e jogos de azar se tivessem tempo livre. “Ócio demais faz mal”, disse o parlamentar.
Ele deu a entender ainda que apenas os ricos, como ele, poderiam usufruir do lazer – viagens, hotéis, parques, ou até mesmo descansar mais o corpo, porque, para quem tem jornada exaustiva, não fazer nada, (ou seja – descansar o corpo), também é um tipo de lazer.
Na ótica dele, trabalhadores que recebem pouco só poderiam trabalhar, trabalhar e trabalhar, ignorando que o descanso e o tempo livre são essenciais para saúde, educação e convívio familiar.
O nível de absurdo não para aí: questionado pelos jornalistas da Folha sobre se o tempo livre permitiria que famílias se encontrassem e convivessem, o deputado respondeu sarcasticamente, como se lazer fosse algo impossível para pobres, reduzindo a vida do trabalhador a uma lógica de sobrevivência. Pela lógica do deputado, se essa fosse a regra, o trabalhador deveria trabalhar 7 vezes por dia, porque “quem não tem direito não tem direito à diversão”.
As falas representam não apenas um desprezo pela classe trabalhadora, mas também uma tentativa de legitimar desigualdades históricas. O trabalhador precisa estar atento: descanso, lazer e direitos básicos não são privilégios, são conquistas garantidas pela Constituição e frutos de lutas históricas.
É urgente que o trabalhador conheça a legislação, participe dos debates e se organize para que visões elitistas como essa não determinem políticas públicas. O lazer não é luxo; é um direito humano e social que fortalece o indivíduo, a família e a sociedade como um todo.
Trago aqui uma adaptação do pensamento de Eduardo Galeano sobre consciência e cidadania, que alerta: “Um povo que não conhece seus direitos está condenado a perdê-los.”
Confira ainda o que diz o JUSBRASIL sobre o tema- Direito constitucional ao lazer: como anda o seu?
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