Com o aumento da pressão de servidores federais em greve, a presidente Dilma Rousseff decidiu não divulgar com antecedência, em sua agenda oficial, uma viagem que fará nesta tarde ao Rio de Janeiro. A presidente irá à cidade, acompanhada do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para participar da cerimônia de premiação da Olimpíada de Matemática, às 15h, no Theatro Municipal.
A informação sobre a participação de Dilma no evento foi divulgada menos de uma hora antes do embarque da presidente –através de uma alteração na agenda oficial. Segundo a Folha apurou, a presidência temia a organização de protestos e possíveis vaias de manifestantes. O Palácio do Planalto não confirma a informação.
A preocupação é baseada em eventos antecedentes. Na última viagem oficial da presidente Dilma a Alagoas, manifestantes sem-terra organizaram protestos e chegaram a bloquear rodovias que davam acesso ao evento que Dilma participou. Eles pediam "mais agilidade" na condução da reforma agrária. O protesto gerou confronto com a polícia militar, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes.
Neste ano, a presidente Dilma já cancelou participação em pelo menos dois eventos por causa da possibilidade de enfrentar manifestações de grevistas. Um deles seria realizado na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e foi cancelado em função da greve de professores universitários. O outro evento ocorreria no Trensurb, em Porto Alegre, teve seu cancelamento gerado por uma paralisação de metroviários.
NEGOCIAÇÃO
O governo federal discute com servidores grevistas a devolução do dinheiro descontado dos contracheques de 11.495 funcionários que tiveram ponto cortado durante os dias de paralisação.
A negociação é feita pelo secretário de Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça.
"Ele disse que está disposto a negociar [a devolução dos dias cortados], se houver reposição da atividade represada", disse o presidente do Sinagências (Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação), João Maria Medeiros.
Durante o fim de semana, o ministério fez várias rodadas de negociação. Além das agências reguladoras, foram recebidos funcionários do Incra, da área de infraestrutura, gestão e fiscalização, meio ambiente, controladores de voo, servidores do Itamaraty e fiscais agropecuários.
De acordo com o ministério, 40% dos grevistas deverão fechar acordo com o governo entre hoje e amanhã.
Segundo a pasta, a reposição do ponto é sempre "elemento de negociação", mas que, como nenhum acordo foi fechado, o ponto segue cortado. Hoje, o governo deverá ter um balanço sobre as categorias que aceitarão o reajuste de 15,8% em três anos.
Folha Online








