Por Wellington Farias

Soa muito engraçado, hoje em dia, mas à época foi terrível para mim. Fiquei interiormente arrasado.

Por muito tempo, “morria” de medo de que descobrissem a lambança. Se o fizessem, fatalmente me colocariam no folclore do jornalismo. Já bastava o maldito apelido que me grudaram nos tempos da PRI-4 Rádio Tabajara da Paraíba…

Só não foi pior porque ninguém nunca soube do acontecido. Guardei este fato em segredo absoluto por cerca de 40 anos, só vindo a torná-lo público há cerca de quatro meses, numa live que fizemos juntos, eu e minha mulher, a também jornalista Eloise Elane, sobre nossas carreiras profissionais.

Coisa de foca
Eu ainda era um foca. No jargão jornalístico, foca significa o jornalista em início de carreira, inexperiente. E era justamente esta a minha condição, ali por volta de 1979, quando ingressei no jornal O Norte, acumulando com A União por onde comecei na profissão.

Estava eu iniciando na cobertura jornalística da Assembleia Legislativa. Ainda me enturmando, acanhado, inseguro, mas ávido por produzir boas notícias e, no mínimo, não levar furos dos concorrentes.

O tragicômico
Um belo dia, portanto, ia eu chegando ao prédio da Assembleia quando, à entrada, ali estava cercado de microfones um baixote de meia-idade, simpático, bigode farto, voz potente e dando opiniões acerca de tudo relativo ao então PMDB, hoje MDB.

Cheguei quase no fim da entrevista coletiva, peguei a carona na última pergunta dos colegas que logo se mandaram, enquanto eu fiquei sozinho com o entrevistado. Transbordava de felicidade porque, pensava eu, tinha a chance de dar algum furo na concorrência, já que ficara só inquirindo a liderança peemedebista.

Perguntei sobre tudo. Só não entrei na vida pessoal do entrevistado porque aí seria demais. Indaguei-o até se pretendia se candidatar a governador do Estado. Ao final, agradeci, despedi-me e parti sem nem perguntar o nome do entrevistado. Primeiro, porque eu tinha plena convicção de quem era; segundo, porque perguntar o nome, quando se trata de uma figura pública, é passar atestado de “foca”.

No dia seguinte, a minha matéria foi manchete de página, ocupando generoso espaço no então todo-poderoso jornal O Norte: “José Maranhão diz que”… E tome letras garrafais. Nada disso seria demais e, portanto, um acontecimento inexpressivo a mais no cotidiano do jornalismo.

O problema é que o entrevistado que eu pensava tratar-se do cacique José Targino Maranhão, era simplesmente Expedito Pereira. Àquela época, ele nem sonhava se eleger prefeito de Bayeux, tampouco se tornar deputado estadual como aconteceria décadas depois.

Como eu estava ainda iniciando no jornalismo, e já havia visto e ouvido José Maranhão – embora nunca o tivesse entrevistado – achei que aquele cidadão de gestos largos, dotes físicos e tom de voz muito semelhantes era Maranhão.

Tempos depois, José Maranhão esteve no jornal O Norte e, despretensiosamente, sem fazer queixa, comentou bem pertinho de onde eu estava que havia saído uma “boa entrevista” com ele, sem que jamais a tivesse concedido.

Eu calado estava, caladinho fiquei…

PS: A coluna se solidariza com a dor da família de Expedito Pereira, que foi barbaramente assassinado a tiros, em João Pessoa. A Paraíba clama por justiça e que, portanto, este caso seja elucidado e os assassinos e mandantes sejam exemplarmente punidos.

Por Wellington Farias

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