Quando se perde em outubro uma eleição para o adversário o governante tem pela frente dois meses para colocar as coisas – e a cabeça – mais ou menos em ordem. Um processo de afastamento por cassação de mandato, como o que vimos na Paraíba no mês passado, não confere tal privilégio. O governador e o governo instalados são literalmente ejetados dos postos que ocupam sem, ao menos, poder dizer “até mais”.

O ex-governador Cássio Cunha Lima, por exemplo, não teve como gravar uma mensagem de despedida e agradecimento aos paraibanos. Saiu e pronto. Por isso, a necessidade, e quase cobrança, de que se pronuncie o mais rápido possível. Que quebre o silêncio. O que estava previsto para acontecer nesta segunda.

Cássio, de fato, tem que falar aos paraibanos. Ao menos, aos que querem lhe ouvir. Disso não se tem dúvidas. Mas é preciso avaliar que este pronunciamento tem que ter limites. Não poderia ultrapassar a fronteira da garantia da satisfação aos aliados e aos um milhão de paraibanos que estão com a sensação de terem votado à toa. Ao falar agora, o ex-governador, no entanto, correria a inevitável tentação de “riscar o fósforo” entre as forças políticas na Paraíba e reiniciar o período de guerra declarada no Estado.

É o que estão esperando os aliados dos dois lados, todos com as armas carregadas, mas ainda na bainha. Entrasse Cássio, neste momento, no universo do ataque direto ao governo que se instala teríamos o fim à espécie de Guerra Fria que se instalou na Paraíba desde a posse de Maranhão. E passaria a ser criticado pelo mesmo crime que criticava quando governava um estado ante uma oposição que em nada contribuía para o engrandecimento regional porque estava inebriada pelo vinho da cassação. E só nisso pensava.

Neste sentido, foi melhor silenciar. Cássio deve gastar muito verbo mesmo, por enquanto, é com os seus, redirecionando estratégias e mantendo viva a chama da base.

Depois, Cássio usará o veículo que parece mais gostar de usufruir: o contato direto, falando olho no olho do cidadão, que visitará interior adentro. Pode ser uma maneira limitada em termos de amplitude. Mas imbatível no resultado.

 

Aviso a Maranhão

O governador José Maranhão está perdendo o timing nesta discussão sobre a posse de Guilherme Almeida no governo. Pelo que sei, todo governante faz de tudo para se livrar de crises políticas em maior tempo possível. Maranhão está estendendo erroneamente este impasse. Com isso, tira o foco do seu governo e oculta os passos administrativos positivos. É hora de colocar um ponto final. Em favor de Ricardo ou de Veneziano.
 

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