O candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, responsabilizou, durante visita a Maringá, no Paraná, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela onda de violência na campanha eleitoral. "O fato de o presidente da República se jogar de corpo e alma no processo eleitoral, ao invés de se dedicar ao País, e incitar que os adversários sejam destruídos, como ele tem feito, e tem vários exemplos nesse sentido, só contribui para esse clima de violência", disse o tucano após evento com cooperativas agrícolas, às 15h.
Serra estava se referindo à afirmação de Lula, no dia 13 de setembro, em discurso em Joinville (SC). Na ocasião, o presidente disse que o DEM deveria ser "extirpado" e atacou a presença da família Bornhausen na política catarinense.
Minutos antes, por volta das 14h, o próprio presidente disse que o episódio era uma "farsa". "A mentira que foi produzida ontem pela equipe de publicidade do candidato José Serra é uma coisa vergonhosa (…) aliás, ontem deveria ser denominado o dia da farsa, o dia da mentira", declarou o presidente após inauguração do Polo Naval de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Leia aqui.
Serra afirmou que o "outro lado" da disputa é quem está acirrando a campanha o tempo inteiro e que fazem isso através de mentiras. "É a maior campanha de mentiras que eu já vi na minha vida. São profissionais da mentira. E são também profissionais da violência. Já houve várias situações aonde fizeram agressões e intimidações", disse. Sobre o episódio desta quarta-feira (20), em que militantes tucanos e petistas entraram em conflito durante campanha do PSDB no Rio de Janeiro, o candidato, que acabou atingido na cabeça por um rolo de fita adesiva, disse que "passaram da medida". "Ontem, passaram da medida, inclusive pelo tipo de gente que foi levada lá. Eram profissionais. Quer dizer, agentes de repressão, da atividade de reprimir, e o incidente todo comigo foi apenas um exemplo", acusou.
O ex-governador paulista reiterou que o ocorrido foi feito por "gente preparada para intimidar" e afirmou que as mentiras e o modelo de campanha adotado pelo PT se traduziram em violência. O tucano disse também que as pessoas que entraram em conflito com sua comitiva eram "treinadas para isso" e caracterizou como "tropas de choque, de assalto".
Ao chegar ao evento, Serra se desculpou pelo atraso de cerca de duas horas. Disse que ficou gravando até tarde da noite desta quarta para o horário eleitoral gratuito. Para uma plateia composta majoritariamente por produtores agrícolas, ele disse ser vítima de mentiras a respeito da privatização. "Se tem um partido que curtiu e curte as privatizações num mau sentido é o PT".
Além disso, o tucano colocou que quer fortalecer as cooperativas de crédito, a infraestrutura de portos e aeroportos para "estimular fortemente o comércio" e aproveitou também para criticar as ocupações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a necessidade de negociação judicial pela reintegração de posse. Assim como fez para os prefeitos de Minas Gerais, voltou a falar do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e criticou o governo: "não tem nada de bancar o papai Noel com o dinheiro das prefeituras. Fazer gentileza com o chapéu alheio".
Lula compara Serra a jogador
O presidente comparou ainda o episódio com o ex-goleiro da seleção chilena, Roberto Rojas, que fingiu ser atingido por um sinalizador em 1989, em um jogo entre Brasil e Chile. "Venderam o dia inteiro que esse homem tinha sido agredido. Se vocês não viram ainda, vocês pegam o que foi divulgado e assistam para ver que é uma mentira mais grave do que a mentira do que a do Rojas, o goleiro do Chile, que no Maracanã caiu e fingiu que um foguete tinha atingido ele", afirmou o presidente.
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