Ao tempo em que dá a entender haver uma “sangria desatada” nos cofres do Estado, a ponto de colocar em xeque até mesmo o pagamento dos servidores estaduais, Maranhão deixa clara uma característica inerente à sua condição de gestor: não tem o talento de administrar em meio à crise, enfrentando adversidades.
Isto ficou muito claro em suas duas gestões anteriores. Vendendo dois importantes patrimônios do Estado – o Paraiban e a Saelpa -, José Maranhão conseguiu amealhar um volume de recursos considerável. A preço de hoje, seria um “extra” nas receitas do Estado superior a R$ 1 bilhão.
Foi o suficiente para Maranhão assumir o epíteto de “mestre de obras” e tirar do papel muitos projetos. Contudo, fechou os olhos a algo muito elementar: não procurou usar os recursos para equilibrar as finanças do Estado. Seu período de quase oito anos à frente do Governo do Estado, segundo relatórios da Secretaria da Receita Nacional, representa um dos mais desastrosos em termos de equilíbrio fiscal.
Mesmo diante de uma crise que há quase um ano vem grassando no mundo todo, todos os gestos e ações do Governo do Estado no Maranhão III parecem não se dar conta da gravidade do momento. Em matéria publicada nesta quinta-feira (17), por exemplo, o PB Agora traz uma grave denúncia, com base em pesquisa no Sagres: só com duas camas, uma penteadeira e plantas ornamentais, o atual Governo gastou quase R$ 18 mil na Granja Santana.
É algo da essência do Maranhão III, certamente. Ao mesmo tempo em que garroteava recursos do orçamento da UEPB, o decreto de 30 de maio duplicava a verba para propaganda e divulgação. O realinhamento atingiu áreas essenciais como Saúde, Educação e Segurança, ditas como prioritárias no discurso do governador, mas na prática indicou que, para o atual governo, construir uma imagem forjada na mídia tem mais importância.
Alternativa PAC
A rigor, sacrificar os cofres do Estado, já a partir do próximo ano, com o pagamento do serviço de uma dívida de R$ 191 milhões, poderia ser perfeitamente compensado com uma bem negociada articulação com o governo federal, através do Programa de Aceleraçaõ do Crescimento (PAC).
Prestígio
José Maranhão, não por acaso, sempre procura demonstrar grande prestígio junto ao presidente Lula. Nada mais natural, então, que ele utilize esse pretenso prestígio para a transformação de obras no Estado. Afinal de contas, o empréstimo, em tese, não é voltado para investimentos? O PAC tem exatamente esse perfil.
Reforma
Uma outra alternativa seria, também, se promover uma reforma administrativa no Estado. A última foi feita pelo ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), tirando da própria caneta o poder de nomear mais de três mil cargos comissionados, que foram extintos. Contrariando a lógica, Maranhão mantém um ritmo diário sem limites de nomeações e até já tentou criar cargos novos, como foi o caso flagrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico.
Sucateado
A última compra de máquinas e equipamento, pelo Governo do Estado, para o Departamento de Estradas e Rodagens (DER), foi realizada na gestão do ex-governador Wilson Braga (1983-1986).
Mais um baque
O decreto do governador Maranhão publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (17) impõe um novo golpe no orçamento já diminuto do órgão: estão sendo cortados 13,5 milhões.
Atestado
Ao divulgar que o Estado tem uma margem considerável de capacidade de endividamento, o secretário Marcus Ubiratan, o xerife das Finanças, dá um atestado público sobre o equilíbrio financeiro-fiscal deixado pelo ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB).
Só conquista essa condição quem fez, nos anos anteriores, o dever de casa do equilíbrio das contas públicas.
Vitória
Visivelmente feliz pela publicação do decreto que deixou de fora dos cortes a UEPB, a reitora Marlene Alves confessou-se satisfeita por sua “magnífica paciência” ter sido importante no processo, como também valeram o bom senso do governador em respeitar a lei e a pressão da sociedade organizada em defesa da instituição.
Sucesso
Evento bem organizado e com uma estrutura diferenciada para receber visitantes, o município de Matinhas, no brejo, está se consolidando como uma excelente alternativa para o São João do chamado Compartimento da Borborema.
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