Em entrevista ao programa Arapuan Verdade, na tarde desta quarta‑feira (04), o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo da Paraíba, Cláudio Furtado esclareceu as recentes especulações que circulam na mídia internacional alegando que o Congresso americano estaria levantado a tese de haver uma base secreta de espionagem chinesa no Brasil – especificamente em Aguiar, onde está sendo construído o radiotelescópio Bingo, projeto conduzido pelo Governo da Paraíba.
“Primeiro, quanto à questão multilateral que envolve o Congresso americano e o Governo do Brasil, nós estamos aguardando uma nota oficial da Secom e da Casa Civil do Governo Lula, que deve responder formalmente a essa informação. Após essa resposta, no Estado nós nos manifestaremos oficialmente sobre o tema.”
O secretário ressaltou que, até o momento, não há confirmação formal de envolvimento de organismos estrangeiros com intenção de espionagem no local do radiotelescópio.
“Esse projeto é um projeto científico, construído por pesquisadores brasileiros, em parceria com pesquisadores de outros países, mas toda a sua concepção nasceu no Brasil. Isso nos traz muita tranquilidade — com respeito ao povo de Aguiar, de Carrapateira e de toda a Paraíba.”
O que é o Radiotelescópio Bingo? Entenda de forma simples
Para ajudar os ouvintes a compreender o que exatamente é o radiotelescópio que gera tanta curiosidade e agora rumores, Furtado explicou de forma didática:
“O radiotelescópio é um equipamento científico que… assim como um telescópio observa astros com o olho humano, o radiotelescópio é um ‘olho’ que vê um tipo de luz que a gente não consegue ver com os nossos olhos — as ondas de rádio.”
O secretário detalhou que o equipamento não serve para vigilância terrestre:
“Ele captura ondas de rádio de elementos como nitrogênio, numa faixa que revela partes muito antigas do nosso universo, para responder a questões como como o universo é composto. Então ele olha para períodos muito distantes na nossa história de formação do universo. Não é um observatório para observar órbitas próximas à Terra ou qualquer outro tipo de equipamento de vigilância.”
Furtado deixou claro que o foco do projeto é pesquisa científica de fronteira, especialmente em temas como a matéria escura.
Dados científicos serão públicos e acessíveis
Respondendo a outra preocupação sobre acesso aos dados coletados, o secretário reforçou o compromisso com a ciência aberta. Ele assegurou que todas as instituições públicas podem ter acesso aos estudos e resultados.
“Instituições de pesquisa terão acesso público às informações — não será uma caixa preta. Qualquer instituição que se cadastrar, de qualquer nação, terá acesso aos dados.”
PB Agora
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