‘Sarabaqué’, também conhecida como ‘Dança de Santa Cruz’, é uma dança indígena que integra o ritual da iniciação indígena na catequização dos índios. Para os Guarani, ‘Santa Curuzu’ e para os Tupi ‘Santa Curuçá’. O deputado Índio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa do presidenciável José Serra (PSDB) não dançou o Sarabaqué na Paraíba, mas bem que poderia, pois a sua vinda marcará uma mudança interessante na tribo dos Girassóis.
É que o candidato a governador pela Coligação Uma Nova Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB) deverá anunciar apoio ao presidenciável José Serra (PSDB) nos próximos dias. A notícia foi colhida pelo Blog junto a três fontes, que deram informações diferentes, mas que se completam.
Mas primeiro analisemos os fatos da visita de Índio da Costa à Paraíba, neste final de semana. Índio, durante coletiva, cobrou de Ricardo Coutinho um posicionamento em relação ao apoio a Serra. Segundo ele, a tribo Tucano-Democrata não permite um casamento a três – ou seja: Ricardo estar de braços dados com Cássio, tucano; e Efraim, Democrata, apoiando Dilma, petista.
O vice de Ricardo, Rômulo Gouveia, jogou para os caciques do tucanato nacional o fato de não existir praticamente campanha de Serra no estado, ao afirmar que nem material chegou à Paraíba. O Índio retrucou, afirmando que a chegada ocorrera no dia anterior e pediu para que fosse fumado o cachimbo da paz. “Rômulo, calma em seu coração. O que ganha eleição é carinho, amor e propostas”, afirmou o Índio.
O primeiro informante disse que, na próxima semana, os candidatos José Maranhão, Vitalzinho e Wilson Santiago vão apresentar, em seus guias de rádio e TV, declarações de apoio do presidente Lula. Ou seja: o próprio Lula vai dizer, com imagem e voz, que ele e Dilma tem candidatos na Paraíba e Ricardo não está entre eles. Desta forma, restará a Ricardo apoiar Serra ou ficar calado.
O segundo informante disse que o próprio Ricardo Coutinho considera o apoio a Dilma não mais um ponto firmado. É que, no período que antecedeu a formação das chapas, Ricardo teria conseguido o aval da nacional do PT de que Lula poderia até ter seus favoritos na Paraíba, mas não manifestaria opinião. Em troca, Ricardo aproveitaria a ‘Onda Lula’ e a boa fase de Dilma para tentar emplacar sua imagem junto. Se isto é verdade, não sei. Mas que tem uma grande lógica, isso tem.
A terceira informação dá conta de que teria existido uma conversa entre Ricardo e Cícero (coordenador da campanha de Serra no Nordeste) para que Serra tivesse uma tribo própria para comandar a campanha na Paraíba. Essa tribo teria como cacique o próprio Cícero. Porém, o cenário só se torna real se Ricardo anunciar o apoio a Serra.
Dos episódios e das informações, infere-se que Ricardo já tem o álibi para aderir: a participação de Lula nos guias de Maranhão, Vitalzinho e Wilson significaria o rompimento do tal acordo – se é que ele existiu. E, de quebra, seria o motivo para que houvesse a mudança do ex-prefeito da capital.
É claro que, a estas alturas, resta muito pouco a Ricardo Coutinho. Primeiro que, após a aparição de Lula – e depois da própria Dilma e de ministros do governo – ficará complicado para Ricardo Coutinho continuar manifestando seu apoio à petista e, principalmente, imaginar que terá, em seu Guia de rádio e de TV, uma declaração de Lula ou de Dilma.
E, para completar, dez entre dez consultados por Ricardo diriam que a sua identidade já está de tal modo ligada ao PSDB, ao DEM, a Cássio e Efraim, que não restaria alternativa. A não ser que ele queira aumentar ainda mais a crise de identidade na campanha, fato que já gera críticas freqüentes de seus opositores.
Talvez se isto ocorresse, seria melhor produzir um outro guia de início de campanha – aquele em que o candidato mostra a sua história, seus aliados históricos, suas teses, seus amigos, etc, etc, etc. E começar a campanha de um novo ponto de partida, dançando um autêntico ‘Sarabaqué’.







