Na medida em que apregoa as ações da gestão, Ricardo Barbosa atrai para si os holofotes da mídia e desperta “ciúmes” em deputados

Em 1993, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, se notabilizou por assinar as cédulas do ‘Plano Rea’l durante o governo Itamar Franco.

Sem o seu autógrafo e sua marca na cédula do Real, FHC não se popularizaria para a eleição de 1994. Se o Real fracassasse, sua candidatura fracassaria junto. Só lhe restava uma saída: assumir o Real acreditando que daria certo. Assim o fez. Foi otimista e virou presidente do Brasil.

Situação parecida vive na Paraíba o secretário do PAC e superintendente da Suplan, Ricardo Barbosa, todas as vezes que aparece nas assinaturas de ordem de serviço do governador Ricardo Coutinho, se revelando um agente especial na arte de colar a sua imagem com a do governo.

Apesar de carregar consigo a pecha de "temperamental" e "impulsivo", Barbosa não se esconde nas horas difíceis do governo e tem mostrado disposição para “vestir a camisa laranja”, ao contrário de alguns aliados ‘vacilantes’, como disse o próprio governador.

Vale salientar que a “conduta atrelada” com que procedeu nos governos de Ronaldo e Cássio Cunha Lima deu o ‘handicap’ que faz de Ricardo Barbosa um alvo permanente de recalques, entre os mais comuns, a acusação de ser “pretensioso demais”. A velha história de ser criticado pelas qualidades.

O fato é que na medida em que exalta o governo socialista, Barbosa atrai para si os holofotes da imprensa e a comoção do “ricardismo”, como se dissessem: “esse aí é um dos nossos”.

Tal comportamento tem provocado sucessivas crises de “ciúmes” em outros auxiliares e, principalmente, na bancada do governo na Assembléia Legislativa, onde parlamentares são acusados de se intitularem aliados somente quando aguardam nomeações do governador nas suas bases eleitorais, porque se escondem nas horas difíceis.

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Se fazendo de surdo, Ricardo Barbosa deixa suas digitais nas obras do governo que encampa, e, sem medo de ser feliz, aproveita a carona para fazer o próprio “Marketing Pessoal”. Inteligentemente.

Experiente e blindado contra o veneno das eleições, o auxiliar adota o discurso da cautela para pavimentar seu retorno à casa de Epitácio Pessoa e garante que não há qualquer dificuldade de relacionamento com deputados e outros secretários. Diz que agora evitará comprar briga com os aliados, sobretudo os mais ciumentos, para não incorrer no mesmo erro de eleições passadas. Tomou a vacina contra o "fogo amigo".

Por tudo isso, pode-se dizer que Ricardo Barbosa é um novo homem, esperando a oportunidade do recomeço. Desta vez, na cara do gol e sem impedimento!

Ytalo Kubitschek

PB Agora
 

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