O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) apoiou, na tarde desta quarta-feira, 4, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e sua denúncia de que o governo federal e o Congresso Nacional convivem com rotinas de corrupção. “Jarbas expressou um sentimento que estava parado no ar. As pessoas estão cansadas de corrupção e impunidade. Quem tem amor ao País dará razão a Jarbas. As coisas estão demais”, disse Fernando Henrique, após participar de evento da organização não-governamental (ONG) Alfabetização Solidária realizada na unidade da General Motors em São Caetano do Sul (SP), em homenagem ao projeto de educação fundado por sua mulher, Ruth Cardoso, falecida no ano passado.

Apesar de endossar nos aspectos gerais a denúncia de Jarbas, FHC esquivou-se de comentar as críticas do senador ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB), e ao líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL). “Não quero opinar sobre assuntos internos do Senado”, disse o ex-presidente. Ele também negou-se a comentar a situação do PSDB, palco de uma disputa interna pela indicação do candidato à Presidência em 2010. Os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, querem sair candidatos a presidente pelo partido.

Diplomático, FHC evitou criticar até o governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva frente aos impactos da crise econômica mundial no Brasil. “O governo fez o que pôde. Não posso dizer que esteja agindo mal. A crise veio de roldão.” O ex-presidente reiterou a redução dos juros e de gastos do governo como peças-chave para a superação da crise. Mostrou-se otimista, apesar de considerar que a crise “ainda não chegou ao seu pior estágio”. “Vamos sentir algum impacto, mas tomara que tenhamos capacidade de sair da crise melhor do que entramos.”

Em seu discurso durante o almoço oferecido pela GM, Fernando Henrique chegou a brincar com as dificuldades enfrentadas pela montadora por causa da crise. Ao falar da importância de projetos sociais, como as iniciativas criadas por Ruth Cardoso, o ex-presidente disse que, para a vida ter sentido, é preciso mais do que dinheiro. “No caso da Chevrolet (GM), duvido que esteja ganhando muito dinheiro agora”, disse, provocando risos até do presidente da GM para o Brasil e América Latina, Jaime Ardila.
 

 

estadao.com.br

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