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PT x PSDB: a conta que faz a diferença

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Serra nunca esteve numa prova de fogo tão grande: ou toma a frente, resolve a crise e empolga os aliados, ou a vantagem eleitoral que os governistas obtiveram em 2008 e o fator Lula darão a Dilma uma pole position difícil de reverter

Diversas universidades brasileiras já fizeram estudos para mostrar que numa campanha presidencial por aqui vence quem tem maior volume de apoios nos municípios com menos de 200 mil habitantes, no popular, os chamados grotões. Lula conquistou parte deles em 2002, quando obteve o apoio de José Sarney e arrastou uma parcela expressiva do PMDB para o seu lado ainda que os peemedebistas estivessem oficialmente fechados com Serra. Agora, com o PMDB quase que uníssono ao lado da candidatura de Dilma Rousseff, a maioria dos políticos e especialistas fez as contas e não tem dúvidas de que, salvo qualquer imprevisto, mais uma vez esses grotões não faltarão ao projeto de Lula.

O presidente trabalhou como um leão para manter esse patrimônio em várias frentes. A primeira delas foi o Bolsa Família. O cartãozinho está para o eleitorado mais pobre como a distribuição de lotes esteve para Joaquim Roriz em suas eleições anteriores, da quais ele não perdeu nenhuma. Tanto é que o candidato do PSDB, José Serra, está rouco de tanto dizer que a raiz desse programa tem a assinatura dele, uma vez que, quando ministro da Saúde, Serra criou o Bolsa Nutrição.

Mas não é apenas o cartãozinho que segura esse eleitorado ao lado do atual presidente e, por tabela, de sua candidata. No receituário do eleitorado fiel entrou o jogo da política e a preservação de aliados que se saíram bem nas eleições municipais. Aí explica-se por exemplo, o esforço do PT em manter o PMDB.

Quem tiver o cuidado de avaliar o resultado de primeiro turno das eleições de 2008, como muitos estrategistas políticos do PT tiveram, vai entender muitas atitudes dos petistas agora. Em 2008, o PMDB foi o grande vencedor das eleições. Obteve 18,4 milhões de votos no primeiro turno. Cresceu 30% em relação ao número de votos obtidos em 2004. Mais de 70% deles oriundos dos municípios com menos de 200 mil habitantes. O PT fez 16,7 milhões, 1% a mais. Quase todos os aliados do governo cresceram em 2008. Até o pequeno PCdoB viu dobrar o número de votos.

Enquanto isso, a oposição minguou. O PSDB, por exemplo, conquistou 14,5 milhões votos, uma redução de 8%. O DEM foi ainda pior. Ficou com 9,3 milhões de votos e viu desintegrar 17% de seu eleitorado. Embora a eleição presidencial tenha outra lógica e uma parte do PMDB esteja com Serra, a correlação de forças e de gente engajada na campanha será muito desigual, considerando o resultado de 2008 e o jogo da política que cada um empreendeu na pré-campanha até agora.

Vejamos o PSDB. Se Serra não conseguir mostrar aos seus aliados que é um bom administrador de crises, toda a matemática que levou os tucanos ao nome do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para candidato à vice na chapa representará a troca de seis por meia dúzia. Afinal, ao mesmo tempo em que Serra pode ganhar uns pontos a mais no Paraná, corre o risco de perder parte dos 9 milhões de votos do DEM. Ontem, por exemplo, os democratas saíram unidos em prol de mudança na vice de Serra. Vão trabalhar por isso até o fim, certos de que o pecado original do PSDB em território paranaense foi não ter enquadrado Beto Richa, o ex-prefeito de Curitiba candidato ao governo, e feito de Osmar Dias (PDT) candidato a governador com o apoio de todos os partidos da aliança nacional tucana.

Diante de tanta confusão, Serra terá essa semana que demonstrar capacidade de articulação política para debelar crises e manter todos juntos, enfim, injetar ânimo na largada da sua campanha. Se não conseguir, os fatores que hoje levam a um cenário favorável à candidata do governo tendem a ser potencializados. E se o eleitorado começar a sentir cheiro de poder e confiança ao lado de Dilma Rousseff, será difícil reverter esse cenário.

Afinal, na política, quando aparece muita dificuldades pela frente, a ordem de cada um é salvar a própria pele. E, nesse momento, até os tucanos estão nessa batida. Nada mais sintomático do que o esquecimento de Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul, e de Tasso Jereissati, no Ceará. Nenhum dos dois citou o candidato a presidente da República nos discursos regionais. Pode até ter sido um “lapso”, como explicou Yeda ontem, depois da convenção. Mas, em política, na maioria das vezes, até os lapsos são calculados.

 

 

Correio Braziliense

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