As mensagens trocadas entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, reveladas pelo site The InterceptBr, que denotam combinações impróprias nas investigações da Lava Jato, apenas vêm confirmar uma desconfiança quase geral e a certeza de alguns poucos: a pretexto de combater a corrupção, a tal operação, uma cópia embaçada da “Mãos limpas” da Itália, era apenas um instrumento político para pavimentar o retorno da tucanada (PSDB) ao Palácio do Planalto e sepultar de vez a possibilidade de o PT voltar ao poder, mesmo que, para tanto, tivesse que meter Lula na cadeia a qualquer preço.

Nos buxixos dos bastidores da política e nas mesas de boteco, não raro se dizia que nesse projeto, o nome escolhido para voltar ao Planalto seria Aécio Neves ou, não podendo sê-lo, Geraldo Alckimin.

A propósito, observe-se o comportamento da Lava Jato com relação aos tucanos. O próprio Aécio Neves, flagrado em falcatruas, e que continua solto com o mandato de deputado federal, no auge das investigações da operação foi visto e fotografado aos cochichos e gargalhadas com o xerife da Lava Jato, Sérgio Moro, já àquela altura festejado pela direita brasileira como herói nacional. Uma imagem que causou indignação e percorreu o mundo.

Para munir-se da credibilidade necessária, a Lava Jato, ao que tudo indica, adotou como pretexto o discurso do combate à corrupção e de passar o Brasil a limpo. A maioria do povo brasileiro cansada de desmandos e falcatruas na vida pública, não só acreditou como apostou todas as suas fichas na Lava Jato, como uma panaceia anticorrupção. E foi aí que a porca torceu o rabo. A Lava Jato, pressionada pela sociedade, parece ter passado do ponto e ido além de sua verdadeira intenção. De modo que no rastro dessa onda de limpar o Brasil, a própria tucanada foi desmoralizada, embora o doutor Moro tenha feito sempre vista grossa a tudo aquilo inerente aos erros do PSDB.

Na sequência, o que se viu foi um cenário político desolador – a credibilidade das instituições desmoronando, a classe política completamente desacreditada e um horizonte bastante promssor para os aventureiros políticos de plantão, como sempre acontece nas fases de crise. Vide Jânio Quadros, nos anos 60; Fernando Collor de Mello, no início dos anos 90 e, agora, com o pior deles, o “mito” Jair Messias Bolsonaro. Mas havia uma pedra no caminho da direita, o barbudo Luiz Inácio Lula da Silva. Lua era o único dos tradicionais políticos com condições de vencer a disputa presidencial contra qualquer um, e em qualquer cenário. Naturalmente, ele não escaparia de jeito nenhum, o que fica claro, também, nas mensagens tornadas públicas pelo portal The InterceptBr.

Desastre I

No cômputo dos prós e contras da Lava Jato, a operação tem sido um desastre para o Brasil. Primeiro, fez grandes investidas contra o Estado Democrático de Direito, como se, para combater a corrupção, os fins justificassem os meios. Nas mensagens agora reveladas, Moro e Dallangnol discutem até a intenção de limpar o Congresso. Ora, limpar o Congresso é prerrogativa exclusiva do povo e não de magistrado.

Além disso, a magistrado nenhum compete combinar nada com as partes, já que cabe a ele fazer o julgamento. Da mesma forma que Moro jamais poderia combinar nada com os advogados de Lula (o seu réu predileto), também não poderia fazê-lo com a outra parte, o Ministério Público, órgão acusador.

Desastre II

Também é preciso acabar com essa história de que para combater a corrupção pode-se tudo, inclusive, afrontar o Estado Democrático de Direito. O combate a corrupção, mais que necessário, terá de ser feito nos limites das leis que regem o país.

Desastre III

Quer mais: o que agora se revela da Operarão Lava Jato, com a publicação das mensagens conspiratórias de Moro e o Ministério Público, se configura num violento golpe contra a imagem e a credibilidade da Justiça Brasileira e do próprio MP. O desgaste, diga-se de passagem, bate o mundo a fora.

Desastre IV

Outro grande prejuízo para o Brasil: a rasteira violenta na economia. Em país nenhum do mundo civilizado, Lava Jato ou Mãos Limpas jamais poderá destruir a economia de uma nação a pretexto de combater a corrupção. A Lava Jato causou prejuízo astronômicos a grandes empresas nacionais. Segundo cálculos preliminares, este rombo beira os R$ 200 bilhões. Isto é, se já não ultrapassou esta cifra.

Outro rombo causado ao Brasil pela Lava Jato: o agravamento assustador do desemprego. Apenas para se ter uma ideia: a Odebrecht, que até o advento da operação empregava 160 mil pessoas, com os desdobramentos das investigações, este número hoje caiu para 12 mil, e a empresa estaria em vias de pedir concordata.

***

Resumo da ópera

O Brasil como menos corrupto depois da Lava-Jato nunca houve. A corrupção campeia do mesmo jeito. Mas o Brasil de economia combalida e de mercado de trabalho destroçado é uma realidade nua e crua. É claro que não se pode atribuir todo esse estrago só a Lava Jato, mas que ela foi um instrumento bastante útil para esse cenário de fracasso, disso ninguém pode duvidar.

 

Wellington Farias

 


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