A não ser que Ricardo imagine que os méritos pela sua eleição sejam apenas seu e do tal ‘Coletivo’: pois não é que o ex-governador Cássio não emplacou um único ‘Cunha Lima’ no primeiro escalão do governador eleito Ricardo Coutinho…?
Confesso que não acreditei ao ver que Ronaldo Cunha Lima, Ivandro Cunha Lima e o próprio Cássio, que durante os últimos dias intensificaram os contatos com Ricardo – até mesmo comparecendo lá no tal Canal 40 – não conseguiram sensibilizar o Mago a beneficiar a família que, repito, foi, sim, a responsável pela sua eleição.
E digo isso porque Ricardo, a poucos meses do processo eleitoral, era um mero desconhecido em Campina Grande e em outras cidades da Paraíba. E foi graças ao ‘recall’ proporcionado pelos mandatos de governador de Cássio que ele se elegeu. E, claro, sou defensor da máxima de que ‘Quem ajuda a eleger, deve ajudar a governar também’.
Com todo respeito à importância que deve ser dada à Junta Comercial da Paraíba, mas num contexto político a Junta significa quase nada, em termos de cargo. Pois bem: fiquei pasmo ao ver que o único Cunha Lima no secretariado de Ricardo é Ivanhoé Cunha Lima, indicado para vice-presidente da Junta. Isso mesmo: Vice!
Aonde está a importância dada a Ronaldo Cunha Lima, ex-governador, ex-senador? E o próprio Ivandro, pai de Ivanhoé, ex-senador e ex-deputado federal, que por dias esteve no tal Canal 40 e o máximo que conseguiu foi emplacar o filho numa vice-presidência de um cargo de terceiro escalão? E a importância de Cássio, que na campanha botou Ricardo debaixo do braço e rodou a Paraíba pedindo votos para ele, ariscando até a sua própria eleição? E a importância de Rômulo, o vice do Mago?
Para fechar o firo, Ricardo anunciou, para Campina Grande, como titular da Secretaria de Interiorização, o deputado estadual eleito e ex-prefeito de Puxinanã Adriano Galdino. É isso mesmo: nada de um campinense da gema, aliado de Cássio e de Ronaldo, ou até mesmo de Rômulo, o seu vice, como forma de reconhecer a importância que a cidade teve na eleição do Mago. Seria um recado a Cássio?
Todos sabem, também, que Cássio queria emplacar aliados que não tem o seu sobrenome, mas que tem DNA cassista, em cargos importantes do secretariado. Porém, o mais relevante foi a indicação de Gustavo Nogueira para a Secretaria de Planejamento. A tentativa dos cassistas era a de emplacar Gustavo na Administração, mas não deu. Ele vai para uma secretaria que tem o objetivo e planejar, mas executar que é bom, quem executa mesmo é o governador – o que acaba tirando o foco da atuação do secretário, claro.
O desejo de emplacar Gustavo na Administração era para poder comandar o processo de nomeação dos cassistas espalhados pela Paraíba – sobretudo em Campina Grande, terra natal do ex-governador. Nomeação e definição de gratificações também, claro. Nada mais justo, pois Ricardo não tem aliados em várias cidades. Aliás, o próprio PSB simplesmente não existe em muitas cidades. Então, claro que os ocupantes dos cargos, nestas localidades, devem sair, sobretudo, do PSDB e do DEM, os supostos “aliados de primeira hora”.
Porém, o recado de Ricardo veio não só com a negativa a Secretaria de Administração, mas também via entrevista, quando o Mago disse em alto e bom som: “nenhuma contratação, no meu governo, ocorrerá sem passar por mim”. Demonstrou que, na verdade, quem manda é ele mesmo.
Mas se alguém pensa que isso será motivo para rompimento entre os dois, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Cássio não pode tomar qualquer decisão agora e é justamente por isso que tem ‘engolido seco’, e sem comentar, as decisões relacionadas ao secretariado. Até o twitter, canal bastante usado pelo ex-governador durante a campanha, ele desativou, provavelmente para evitar dizer o que não quer.
Qualquer tomada de decisão por parte do tucano, todos sabem, dependerá, exclusivamente, dos rumos que a eleição para o Senado irá tomar. Se Cássio não conseguir confirmar sua eleição para o Senado, ficará refém de Ricardo e poderá ter de engolir tudo, a seco, até o final do mandato. Caso contrário, não demorará para vermos as primeiras manifestações de insatisfação concretizadas em rejeições a Ricardo. Principalmente a partir de Campina.
Esta falta de consideração com os cassistas eu cantei no comentário passado, feito quando as nomeações começaram. Foi quando disse o que a Paraíba toda dizia: que o secretariado era eminentemente técnico. Mas não foi isso o que ocorreu quando as nomeações começaram a sair, dia após dia. Cheguei a dizer, enfaticamente, que Ricardo não daria vez aos políticos, em seu governo. Me enganei e peço desculpas. Então, a ‘onda’ de que o secretariado tinha que ser essencialmente técnico não colou.
Pra encerrar – e até como forma de descontrair – brindo os leitores com duas piadinhas que circulam em Campina Grande: ‘No reino dos sete anões, Dunga está Zangado’ e ‘No jogo das indicações, Bolinha foi posto pra escanteio’. Como são criativos estes campinenses…







