Categorias: Política

Porque Ricardo bate e alisa Cássio ao mesmo tempo?

Confesso que não entendo quando escuto radialistas que compõem o chamado ‘núcleo duro’ do governo Ricardo Coutinho dizer, no rádio, que não adianta a oposição tentar, não adianta estrebuchar, que Ricardo não vai romper com Cássio. E, confesso, pela movimentação dos dois, pode até ser que não rompam, mas que motivos para tal existem, isso é certo.

Na semana passada, vi a Secretária de Comunicação do Estado, Estelizabel Bezerra, braço-direito do governador, dizer textualmente na TV Arapuã que nenhum outro governador havia investido tanto em segurança pública quanto Ricardo Coutinho, pegando de cara José Maranhão e Cássio Cunha Lima. Inclusive em relação aos salários pagos aos policiais. “Ninguém pagou tão bem à Segurança Pública como esse governo”, disse ela.

Estelizabel foi mais além e disse que Ricardo Coutinho também fez mais que seus antecessores na Saúde e na Educação, para compensar “diferenças históricas” dos governos anteriores com a população. “Primeiro para poder incentivar e segundo para corrigir as diferenças históricas, porque não se pode pagar o que não tem e não se pode fazer dos recursos públicos apenas investimento par manter a própria máquina”. Hein???

Mais adiante, Estelizabel disse que, por agir assim, Ricardo Coutinho estaria contrariando interesses de pessoas que, para revidar, estão tentando “tirar a grandeza de um governo que, dentre outras coisas, vem reconhecendo por mérito e cumprindo a legislação de fazer com que a polícia ascenda dentro dos critérios que ela tem para a ascensão”.

Passei o final de semana com uma pulga atrás da orelha. E ouvindo o programa oficial do governador nesta última segunda-feira, fiquei mais intrigado ainda. É que vi, agora o próprio governador Ricardo Coutinho, não se preocupar em saber que, antes de assumir o governo, tinha Cássio, seu aliado, no Palácio da Redenção, claro que com um hiato de aproximadamente dois anos com a posse de José Maranhão, assumindo no lugar do tucano por força de uma cassação.

Ricardo falava do restaurante do servidor, uma iniciativa do Governo do Estado que, segundo ele, vai proporcionar aos servidores refeições a preços populares. E dizia que sua atenção com os servidores não se resumia ao restaurante e era bem diferente do que a Paraíba via no passado.

Gabando-se de reajuste salarial para servidores, no patamar de 3%, Ricardo mirava os antecessores José Maranhão, Cássio Cunha Lima e outros: “os inativos, por exemplo, nunca tiveram reajuste”, disse. “Eles (os governadores que o antecederam) não deram nem 3%, nem 2%, nem 1%. Não deram nada. Ficaram apenas com promessas mirabolantes”.

Depois, Ricardo começou a falar sobre segurança pública. Disse que a Paraíba nunca tinha visto tanto investimento como em seu governo. “Hoje a Paraíba tem uma política de segurança pública”. Para aliviar, deu uma, como quem morde e assopra: “isso (essa declaração) não é contra ninguém. Talvez no passado isso não fosse necessário”. Ele alivia e dá outra em cima da ferida, logo em seguida…

Vem o intervalo comercial. Troco de emissora. Na outra rádio, o radialista – parecendo até que estava escutando o próprio governador falar na concorrente – se apressa em colocar panos quentes: “para os que dizem que Ricardo e Cássio vão romper, veja a declaração de Ricardo Coutinho no final de semana. Ele disse que a aliança com Cássio é eterna, para a vida toda”.

Volto a ouvir o programa oficial do governo e Ricardo continua no mesmo tom. Morde e assopra. Morde mais, é claro. Ricardo faz mais comparações entre seu governo e os de seus antecessores. Diz que, no passado, o índice de inquéritos policiais concluídos era de apenas 7%. “No meu governo aumentamos esse índice para mais de 50%”.

E prossegue Ricardo, dizendo que, nas gestões anteriores, quando uma viatura policial quebrava, era necessário que se tirasse peça de outra viatura, para providenciar o conserto. “Sem se falar que a população era quem colocava combustível na viatura, para faze rondas”.

Resolvi, então, mudar de faixa. Saí da FM e fui para a AM. Sintonizei outra emissora totalmente diferente das duas primeiras. Ouvi o radialista falar da visita que Ricardo Coutinho fez a Campina Grande no final de semana e da entrevista que concedeu à imprensa local. E coloca um trecho no ar, afirmando que era um recado para Cássio. Atentamente, aumentei o volume do rádio.

“O que eu assumi de compromissos foi em cima de um programa e esse programa está sendo cumprido, às vezes até com incompreensões e resistências, mas com muita coerência. Ninguém pode dizer que eu seja incoerente, absolutamente ninguém e acho que a coerência na política é fundamental”, disse Ricardo.

Desliguei o rádio e abri uma pasta do computador para ouvir uma música. Aleatoriamente, o tocador de mp3 começou a executar uma faixa. A letra me fez desligar o PC e ir dormir. Precisava relaxar a mente. Era coincidência demais: “Don’t Say One Thing And Do Another” (The Pinker Tones) ou, na tradução, “Não diga uma coisa e faça outra”.

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