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PMDB usa CPI para reivindicar diretoria de petistas na Petrobras

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De olho em diretorias da Petrobrás, o PMDB resolveu esperar a volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em viagem ao exterior, e deixar para a semana que vem indicação dos nomes dos senadores que vão integrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades na estatal e na Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O partido agora reivindica a diretoria de Exploração e Produção da Petrobrás, ocupada pelo petista Guilherme Estrella. Quer levar para o posto, conhecido como “diretoria de pré-sal”, o atual diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. Identificado como da cota do PP, Costa passaria a contar com o aval do PMDB – e a prestar contas para o partido. Com a vacância da diretoria de abastecimento, caberia ainda ao PMDB indicar um novo nome para o cargo.

 

“Tenho uma bancada de 20 senadores e todos querem participar da CPI”, resumiu ontem o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). “Nada será definido antes de terça-feira.” Os componentes da CPI só serão definidos depois que o presidente Lula se reunir com a cúpula do PMDB, o que vai ocorrer no início da próxima semana. A ideia é que a reunião não fique restrita aos peemedebistas do Senado e conte com a participação do PMDB da Câmara, com as presenças do presidente do partido, Michel Temer (SP) e do líder Henrique Eduardo Alves (RN). “O presidente Lula está viajando, mas quer que a Petrobrás não seja atingida. Ele quer discutir o assunto em uma reunião”, afirmou ontem o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR).

 

Líderes

 

Além dos pleitos por cargos na Petrobrás, o PMDB também decidiu atrasar a indicação dos nomes para a CPI porque não consegue se entender com o PT do líder Aloizio Mercadante (SP). Os peemedebistas estão irritados com Mercadante, a quem acusam de conversar mais com a oposição, em especial os tucanos, do que com os partidos da base do governo.

 

O PMDB é contra a proposta de pôr na CPI apenas líderes partidários. Os peemedebistas avaliam que essa estratégia levará o debate da CPI para o plenário, pondo em risco as votações de interesse do Palácio do Planalto, em especial as medidas contra a crise financeira internacional.

 

Foi o que ocorreu ontem, com a paralisação do plenário do Senado, onde estavam previstas apenas votações de indicações de embaixadores. Sob o pretexto da mobilização que será feita hoje, no Rio de Janeiro, contra a CPI, os tucanos entraram em obstrução e pretendiam impedir votações no plenário.

 

A cúpula do PMDB ressalta que o interlocutor do partido sempre foi o presidente Lula. Observa ainda que a nova líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), poderá desempenhar esse papel, uma vez que tem bom trânsito junto a Renan Calheiros. Além do PMDB, os próprios partidos que integram o bloco de apoio ao governo reclamam das dificuldades de negociação com o PT. É o caso, por exemplo, do senador Inácio Arruda (PC do B-CE), que já avisou sua intenção de participar da CPI. O inquérito também vai investigar a ANP, hoje nas mãos do comunista Haroldo Lima.

 

Além das desavenças na base aliada, os partidos de oposição também ajudaram ontem a pôr um freio nas indicações para a CPI da Petrobrás. Os tucanos estão preocupados com o discurso adotado pelo governo de que a oposição vai usar a CPI para enfraquecer a estatal, com o objetivo de privatizá-la.

 

Para protelar a instalação da CPI, os tucanos reivindicaram ontem mais um posto na comissão de inquérito, sob o argumento de que cabe à oposição quatro das 11 vagas e não três, como ficou definido e divulgado no início da semana.

Estadão

 

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