O sociólogo Jessé Souza será o sexto palestrante do Pense – Ciclo de Debates Contemporâneos da Paraíba, na próxima quarta-feira, dia 11, a partir das 19h, na sala de concertos Maestro José Siqueira, no Espaço Cultural, em João Pessoa. O autor do livro A Elite do Atraso – Da Escravidão à Lava Jato vai abordar o tema A Construção e a Desconstrução Social da Subcidadania. A entrada é gratuita.
Jessé Souza vai trazer ao debate, em sua palestra, uma análise crítica sobre o seguinte temário: Indivíduo e Sociedade; Matrizes da subcidadania no Brasil: os abandonados, a ralé brasileira, racismo e outros marcadores sociais da desigualdade; Esquerda, Direita e os mitos fundadores da Nação; A manipulação consentida das elites. Narrativas e sombras do neofascismo: o ovo da serpente; Políticas Públicas e desigualdades; Gritos e sussurros da democracia ameaçada. Todos esses assuntos fazem parte da obra do palestrante convidado.
Entre suas teses está a de que o maior problema do Brasil não é a corrupção, mas a desigualdade. Segundo Jessé, séculos de convivência com diferenças oceânicas entre ricos e pobres teriam naturalizado a violação de direitos mais básicos e o sistema de privilégios para o 1% de endinheirados.
Ele defende que é preciso saber como a questão da corrupção foi construída. "Houve uma naturalização de que esse é o grande impasse do Brasil. Nosso complexo de vira-lata foi despertado. Quero mostrar que é uma mentira o que os intelectuais e as ciências sociais dizem sobre o Brasil. Com raras exceções, o que afirmam é que o grande problema é a corrupção. Isso é uma manipulação. Nada prova que nosso país seja mais corrupto que os EUA", argumenta. Sua tese é que os intelectuais montaram uma tropa de choque para justificar a existência de menos de 1% de endinheirados, que mandam e desmandam na Nação.
"A corrupção existe em todo lugar, não é uma jabuticaba. O interesse em dramatizar o tema é um mecanismo dos mais ricos para imbecilizar a sociedade. Só as elites ganham nessa luta de classes invisível. A Lava Jato seria a dramatização mais perfeita da corrupção. No Brasil, existe um esquema do golpe, montado. Os componentes são os mesmos. A diferença do golpe que matou Getúlio Vargas e o que desencadeou o Golpe de 64 é que agora deixa de ser militar e se torna civil e jurídico. A função é a mesma – retirar o poder de qualquer partido que tenha alguma preocupação popular", sustenta.
Jessé sempre comenta que o Brasil é um país em que meia dúzia de endinheirados mandam, compram parte do Congresso, põem a imprensa no bolso, fazem o que querem, como os grandes senhores de escravos.
"São espertos. Montaram uma tradição intelectual para legitimar esse modelo. O tema da corrupção só entra em pauta no momento em que a elite econômica perde o controle do Estado.
A classe média é a que mais se torna imbecil. É explorada por esse grupo e depois vai defendê-lo. Que diabos ganha? A classe média faz papel de tola. É explorada por juros, impostos, sai às ruas. Tem a ilusão de estar lutando pela moralidade, de ser mais decente", observa.
A mídia, a Justiça e a intelectualidade, de maneira quase unânime, afirma Souza, estão a serviço dos donos do poder e se irmanam no objetivo de manter o povo em um estado permanente de letargia. A classe média, acrescenta, não percebe como é usada.
Segundo o sociólogo, em determinado momento da história recente do Brasil, uma parte privilegiada da sociedade passou a se sentir ameaçada pela pequena ascensão econômica de grupos historicamente abandonados. "Esse sentimento se expressava na irritação com a presença de pobres em shopping centers e nos aeroportos, que, segundo essa elite, tinham se tornado rodoviárias. A irritação aumentou quando os pobres passaram a frequentar as universidades", explica.
Jessé Souza tem 57 anos e graduação em direito pela Universidade de Brasília (1981). Ele concluiu o mestrado em sociologia pela mesma instituição em 1986. Em 1991, doutorou-se em sociologia pela Karl RuprechtUniversität Heidelberg (Alemanha). Também fez pós-doutorado em sociologia na New School for Social Research, em Nova Iorque. Escreveu e organizou 22 livros, em português, inglês e alemão sobre sociologia política, teoria da modernização periférica e desigualdade no Brasil contemporâneo. Presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA).
Redação
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