Se não houver corporativismo, a Paraíba está muito perto de conhecer, a fundo, de que essência é feita o Tribunal de Justiça do Estado. Pelo menos é o que se espera dessa correição anunciada pelo Conselho Nacional de Justiça.
Não é só necessário, como obrigatório que o cidadão fique sabendo o que se passa por dentro da imponência que reveste o Poder Judiciário paraibano.
Imponência essa que não conseguiu esconder os excessos de poder de Marcos Souto Maior, as contratações suspeitas de estagiários censuradas pelo Ministério Público do Trabalho, o nepotismo desenfreado e o engavetamento deliberado de ações contra juízes. Mas que, apesar disso, imprime ao Judiciário uma áurea de inacessibilidade que compromete a democracia e a igualdade entre os poderes.
É preciso ter cuidado para evitar generalizações. Mas também não dá para ignorar as suspeitas. O Tribunal de Justiça é feito por homens, em que pese a crença de que a composição é divina. E os homens, diferentes dos deuses, erram.
Mais de que punir, a correição tem que mostrar o que está errado para que seja corrigido. Assim como a imprensa nacional tem feito com o Congresso Nacional.
O ideal é que a imprensa paraibana, diante das constatações, possa também dar o mesmo destaque que confere aos escândalos do Poder Legislativo e Executivo, evitando esconder-se por trás de um computador que evita escrever matérias sobre o Judiciário, inspirado por uma sensação equivocada de que a Justiça é maior do que a verdade.
É inaceitável, por exemplo, que a imprensa aceite calada que o desembargador Abraham Linlcon, corregedor-geral do TJ, viva de solenidade em solenidade sem ser obrigado a dar explicações sobre o processo que envolve quatro juízes de Campina Grande envolvidos em escândalos de indústria de multas. É preciso que a Correição do CNJ mostre o Tribunal de Justiça como ele é.
E que o ministro Gilson Dipp, conselheiro do CNJ responsável pela correição no TJ, esqueça que esteve na Paraíba em solenidades de desembargador afastado sob acusação de improbidade se permitindo ser apresentado como amigo de magistrados paraibanos.
Chegou a hora da verdade. Tenhamos coragem de encará-la.
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