Oposição protocola ações contra fabricação de supostos dossiês
A oposição vai protocolar nesta quarta-feira (9) representações no MPF (Ministério Público Federal) e no MPE (Ministério Público Eleitoral) para apurar o envolvimento de arapongas ligados a serviços de inteligência oficiais na suposta montagem de uma central de dossiês no interior do comitê da campanha da presidenciável petista, Dilma Rousseff. Um dos alvos do grupo seria o ex-governador de São Paulo José Serra, pré-candidato do PSDB ao Planalto.
O anúncio foi feito pelo deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR). Nesta quarta (8), a oposição também apresentou dois requerimentos para que o ex-agente do serviço secreto da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo e o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo de Sousa sejam convidados a falar na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso. Os requerimentos serão votados hoje.
Araújo e Sousa participaram em abril de um encontro realizado no restaurante Fritz, de Brasília, quando, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, foram sondados por membros do comitê petista para integrar uma central de produção de dossiês.
A representação levada ao MPF pela oposição vai reforçar o pedido feito já na semana passada pelo deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE). O parlamentar cobrou uma resposta da Procuradoria, que segundo ele ainda não se pronunciou.
– Eu espero que o Ministério Público se manifeste sobre tudo isso. Todos os dias aparecem fatos novos, é compra de material, dossiê, irregularidades nas campanhas, e minha expectativa é que a Procuradoria assuma a dianteira, senão essa eleição vai virar um mangue.
A senadora Marisa Serrano (MT), vice-presidente do PSDB, lamentou o episódio, que para ela traz de volta uma postura que o PT adotou em ocasiões anteriores. Ela lembrou o escândalo dos aloprados, quando petistas ligados ao senador Alozio Mercadante, então candidato ao governo de São Paulo, tentaram comprar um dossiê contra Serra.
– Nós estamos acompanhando já há algum tempo essas manobras que o PT tem feito. Isso mostra que há uma linha comum, de usar esses caminhos tortuosos para intimidar adversários. É muito ruim quando a gente vê que a política descamba para o subterrâneo.
No fim de semana, a revista Veja publicou uma entrevista na qual Onézimo de Sousa afirmou que na reunião ocorrida em Brasília foi sondado para investigar pessoas do comitê petista que estariam vazando informações. Para tanto, seria montada uma central de espionagem, que segundo ele teria também como alvos José Serra e o deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ). Sousa disse ter negado a proposta para o trabalho, pelo qual seriam pagos R$ 1,6 milhão.
O jornalista Luiz Lanzetta, dono da Lanza Comunicação, empresa responsável por contratar os profissionais que trabalham na assessoria de imprensa da campanha de Dilma, confirmou em entrevista ao R7 que esteve na reunião, mas negou que tenha tentado contratar os arapongas. Segundo ele, que pediu o afastamento do comitê petista, foi o ex-delegado da PF quem fez uma proposta, que foi rejeitada.
Em outra frente aberta na Justiça, o PT apresentou ontem no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, uma interpelação dirigida a Serra, que na semana passada acusou Dilma de ser diretamente responsável pelo suposto dossiê. No documento, o partido faz sete perguntas ao tucano para que ele confirme suas declarações. Caso isto ocorra, o PT pretende processá-lo.
O deputado federal Paulo Bornhausen (SC), vice-presidente do diretório nacional do DEM, disse apoiar as ações do PSDB para cobrar esclarecimentos e criticou a postura dos petistas.
– O PT é reincidente na fabricação de dossiês e deve explicações. É um cinismo atroz eles tentarem reverter isso para a oposição.
Ontem, Dilma Rousseff voltou a negar qualquer envolvimento com o caso e cobrou o aparecimento dos documentos que seriam usados contra seu adversário.
– Reitero que tais documentos, se existiram, não foram elaborados pela nossa campanha. E qualquer outra ilação é uma falsidade. Era bom […] o aparecimento desses documentos.
Nos últimos dias, o PT tem procurado isolar o comitê da campanha. O presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra, afirmou que Lanzetta não integrava o núcleo da campanha.
– Do ponto de vista do contrato com a empresa dele, aquilo que nós precisamos está sendo atendido. Agora, nós não podemos ser responsabilizados pelo que ele faz ou não faz. Se ele falou com alguém em nome da campanha, nós repudiamos isso.
CPI
Embora considerem “gravíssimas” as acusações sobre os supostos dossiês, tanto Jungmann quanto Bornhausen negam haver movimentação para abrir uma CPI. Segundo eles, não há tempo hábil neste ano para a medida, já que o Congresso deve entrar em “recesso branco” em breve (período em que não ocorrem audiências no plenário e a pauta de votações fica trancada).
R7
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