As declarações infelizes do deputado estadual Walber Virgolino (Patriotas) sobre se esteve ou não envolvido em uma confusão na dispersão de um bloco carnavalesco ligado ao Projeto Folia de Rua na última sexta-feira teve um grau infantil, inconsequente e ao mesmo tempo temeroso.

Não ponho na balança se o parlamentar realmente esteve envolvido em uma briga que culminou, inclusive, com duas pessoas baleadas por arma de fogo.

Virgolino, em contato com o portal Paraíba.com.br, justificou a suposta participação no atrito, deixando claro que apenas estava próximo ao local do incidente, afirmando que tentou apaziguar os envolvidos. Até aí o parlamentar cumpriu com seu dever enquanto agente da lei, buscando a paz, não a guerra.

O problema reside, sim, nas palavras seguintes. Palavras essas pouco educadas, ásperas e violentas. Disse o deputado: “A briga não era comigo. Tentei apaziguar. Agora no dia que eu brigar, não vai ser na tapa, não, vai ser na bala”. É preciso entender que o nobre parlamentar, agindo dessa forma, não só desqualifica sua postura ética, como também incita a violência e estimula a impunidade.

E nessas linhas virtuais expresso meu respeito ao deputado, inclusive emitindo meus parabéns por ter ele alcançado, certamente por mérito próprio, a condição de delegado de polícia, fato que garante a sua pessoa portar arma de fogo. É legítimo e legal.

Contudo, Virgolino parece esquecer que hoje também é um deputado. Um homem público. Aquele que recebeu milhares de sufrágios a fim de representar aqueles que o puseram na Assembleia Legislativa da Paraíba.

Talvez noutros tempos. Nos anos 30, época dos coronéis, Virgolino, que gosta de ser comparado ao mais famoso cangaceiro que habitou os sertões nordestinos, tenha recebido aplauso pela fala viril.

Mas os tempos são outros. E claro: o deputado pode não trocar tapas. No seu pensar, que atire, lembrando que responderá a processo severo caso assassine um homem de bem.

E mesmo sendo um bandido, observe se ele vai esboçar algum tipo de reação que comprometa sua vida. Sua pessoa foi treinada para evitar confrontos, e sendo preciso, seja ainda mais preciso.

No mais, todos desejam uma Paraíba amena, uma polícia menos letal (aliás ela é a mais bem preparada do país) e parlamentares que busquem dar exemplo à sociedade; não o contrário.

Eliabe Castor
PB Agora

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