O cuidado quando se escreve sobre algo ou alguém requer, antes de tudo, certa parcialidade, pois entendo que ser imparcial por completo é algo fantasioso e humanamente impossível de ser aplicado. Precisei de um tempo relativamente longo para “digerir” as declarações levianas e irresponsáveis da vereadora Eliza Virgínia (PP), quando, no dia dez deste mês, em entrevista a um programa de rádio, recomendou o suicídio a um amigo seu, estando essa pessoa, como a parlamentar mesmo explicou, em depressão.

Eis o comentário de Eliza Virgínia: “Eu disse, ‘quer se matar? Eu lhe dou a arma’, dei uma bronca tão grande nele que a depressão se curou rapidinho “. E muito além desse “conselho” insano, faz-se importante observar certo ar de “superioridade sádica” da vereadora, que mistura em um só caldeirão fantasmagórico preconceito e falta de informação sobre a depressão, fator principal que leva uma pessoa a atentar contra sua própria vida.

Lembre-se, leitor, que no início do texto foi preciso entrar em processo de “quarentena” para escrevê-lo, pois, em dado momento da minha vida, senti o “gosto” desesperador da depressão, estando aí a chamada ideação suicida, isto é: pensamentos sobre morte e suicídio.

Digo a todos que o sofrimento é algo inexplicável, e quando se pensa em suicídio, o indivíduo não quer tirar a vida e, sim, retirar uma dor que o sufoca. E nesse contexto, posso afirmar que a parlamentar cometeu crime, observando o que o Código Penal dispõe:

“Art. 122 – Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça. Pena – reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave”.

Além do crime, a vereadora não cumpriu seu papel enquanto parlamentar, pois no mundo inteiro (menos no seu limitado cérebro preconceituoso) é discutido tal problemática a fim de implementar políticas públicas para evitar o ato extremo e irreversível do suicídio.

O assunto é grave e a sociedade não necessita, de forma alguma, das opiniões pouco adequadas da parlamentar Progressista. E aqui mostro dados alarmantes da Organização Mundial de Saúde, que aponta a seguinte realidade: a cada 40 segundos um suicídio é efetivado no mundo.

Agora imagine, leitor, a dor daquele que partiu, bem como a sensação de impotência e desespero da família e pessoas próximas daquela que retirou a própria vida. E a vereadora Eliza Virgínia continua sua superação no quesito insensatez, ao criticar na sessão desta terça-feira sua colega, Sandra Marrocos (PSB), que desenvolve ciclo de palestras em escolas abordando o tema: “Violência contra a mulher”.

Na visão obtusa da parlamentar, que se diz temente a Deus e confunde religião com pensamentos fundamentalistas criados por ela mesma, fala a Progressista, em comentário direcionando a Sandra Marrocos: “Parece que esse pessoal da esquerda só vê sexo na cabeça. Esse pessoal da esquerda só vê essa temática sexual, homossexualidade, transexual, não tem outra coisa para ensinar as crianças”.

Bem, não estou aqui para fazer apologia ao sexo irresponsável, muito menos discutir orientação sexual. Contudo, categoricamente digo que fato danoso, e criminoso, está na indução ao suicídio. Ponto para Sandra Marrocos. Terapia para Eliza Virgínia.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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