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Opinião: tendo assinado contrato com empresa investigada na Calvário, Edilma não fará aliança com RC num 2º turno

O leitor, e ao mesmo tempo eleitor, certamente já notou certo clima de cordialidade entre os candidatos a prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB) e sua adversária, Edilma Freire (PV). Praticamente ataques violentos envolvendo os dois postulantes não há. E os comentários encontrados nos bastidores da notícia apontavam que, em um eventual segundo turno, aquele que ficasse fora do páreo apoiaria o outro.

A equação é simples e lógica. Uma nova aliança política seria formada não só em João Pessoa, mas em toda a Paraíba. Socialistas e Verdes caminhariam juntos. Primeiro, em caso de vitória, administrariam o maior colégio eleitoral paraibano, e assim seria pavimentada a união de forças visando às eleições de 2022. Eles buscariam “abater” o governador João Azevêdo e assim retornar Coutinho ao Palácio da Redenção e Edilma Freire sair postulante ao Senado, ou vice-versa.

Ainda haveria a figura do prefeito da Capital, Luciano Cartaxo, que poderia buscar uma vaga na Câmara Federal. E nesse novelo de múltiplas opções, é preciso observar que todo esse cenário partiria de uma eventual vitória de Edilma Freire ou Ricardo Coutinho no pleito deste ano.

E a estratégia política era plausível, hoje não é mais, uma vez que Edilma Freire (PV) assinou documentos com a Brink Mobil Equipamentos Educacionais LTDA, empresa investigada na Operação Calvário, realizada pela Polícia Federal em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público na Paraíba (Gaeco).

Os contratos e seus fins

De acordo com documentos, durante sua gestão à frente da Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura de João Pessoa, Edilma Freire teria assinado, desde o ano de 2015 até o ano passado, diversos contratos com a empresa alvo de investigação do Ministério Público, que somam R$ 22.974.900,65.

Os acordos, conforme a relação, listam pedidos para aquisição de kits escolares e mochilas para atender às demandas na rede municipal de ensino. E nessa maré lamacenta não se pode afirmar, pelo menos por enquanto, se existiu ou não atos ilícitos praticados pela ex-secretária de Luciano Cartaxo.

Ricardo Coutinho hoje é obstáculo para Edilma

Ricardo Coutinho, que é o principal alvo da Operação Calvário como suposto chefe de uma organização criminosa que atuava em seu governo nas áreas de Saúde e Educação e que teria desviado mais de R$ 134 milhões, segundo o Ministério Público da Paraíba, não buscará jogar mais lenha na fogueira, cujas chamas estão altíssimas e já queimam a sola dos seus pés.

O mesmo vale para Edilma Freire. Ter seu nome associado a Ricardo Coutinho, estando no meio uma empresa investigada pela Operação Calvário seria uma sentença de morte antecipada nos seus planos para ser eleita prefeita de João Pessoa.

Portanto, uma possível aliança unificando Verdes e Socialistas é natimorta. A não ser que Edilma Freire se espelhe no seu mentor e cunhado, Luciano Cartaxo, que não formalizou alianças políticas fortes para o pleito deste ano, deixando aliados de primeira hora com o pires na mão.

Dois exemplos podem ser citados. O deputado federal Ruy Carneiro (PSDB) – candidato a prefeito de João Pessoa e o senador Diego Tavares (Progressistas), sendo ele primeiro suplente. Ele assumiu a vaga deixada pela senadora Daniella Ribeiro (Progressistas) que requisitou licença para tratar de interesse particular até 21 de janeiro de 2021.

Ou seja: apoiar Bruno Cunha Lima (PSD) a prefeito de Campina Grande, cujo filho da parlamentar, Lucas Ribeiro (Progressistas) é vice na chapa de Cunha Lima.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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