O cenário político brasileiro da última semana no país, com a soltura do ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva (P), fez mudar todas as perspectivas partidárias para o próximo ano, quando serão realizadas as eleições municipais. Mesmo que a oposição mais radical, aquela ligada umbilicalmente ao presidente Jair Bolsonaro utilize à exaustão uma retórica socrática para informar que o petista está soltou em razão de uma interpretação jurídica do Supremo Tribunal Federal (STF), o vigor da esperança dentro das hostes do Partido dos Trabalhadores é nítido.

E essa força não acontece de forma desconexa ou por acaso. Ela não parte em larga escala da militância sempre aguerrida do PT. Muito pelo contrário, a sigla já aguardava há certo tempo a saída do seu líder maior da carceragem na qual se encontrava. Primeiro, um discurso ameno em Curitiba, onde estava preso.

Depois, outro bem mais incisivo no ABC paulista, seu berço político. Lá, diante de uma massa quase em transe, não mediu palavras para atacar o Ministro Moro, Bolsonaro e a Rede Globo. A terceira parte do plano, muito bem elaborado pelo PT, começa a ser posto em prática, antes de Lula iniciar seu périplo pelo Brasil

Observar todos os pontos negativos que implicaram na derrota das últimas eleições presidenciais. E é aí que no cenário nacional as figuras de João Azevêdo e Ricardo Coutinho, hoje em querela interna no PSB paraibano, serão importantes para o projeto de reconstrução das oposições, hoje imerso em um quebra-cabeça faltando peças.

Sabe-se que a “indisposição” de Ricardo Coutinho e João Azevêdo não se constitui única em solo brasileiro. Em todos os quadrantes do país os partidos progressistas, de esquerda, comunistas etc vivem uma crise de identidade, havendo embates locais que o líder Lula da Silva precisa resolver. Ele entende essa realidade, e vai combatê-la com veemência sob pena de amargar derrota não só nas eleições do próximo ano, mas também no pleito presidencial de 2022.

Agora retornando para a Paraíba, só mesmo os mais ingênuos acreditam que o ex-presidente Lula não buscará a reconciliação, mesmo que de forma parcial, entre o governador João Azevêdo e Ricardo Coutinho, que hoje preside a Fundação João Mangabeira, ligada ao PSB nacional.

E por falar em nacional, as conversações desse novo projeto progressista será realizado com as executivas dos partidos. E no caso do PSB, João e Ricardo têm cadeira cativa. E mais um detalhe: diretórios municipais e estaduais serão ouvidos, mas sem grande intensidade, embora o valor político de ambos seja levado em consideração ao final da “costura”.

Outro ponto importante: Luiz Inácio Lula da Silva não passou 580 dias na cela da Polícia Federal em Curitiba fazendo origami. Ao contrário, recebeu governadores e ex-governadores, deu entrevistas para grandes veículos de comunicação, chamou a atenção para si no plano internacional, conversou com lideranças nacionais e do exterior; tudo por uma causa maior: retornar à presidência da República, e não sendo ele, alguém ligado à sua pessoa, ao que ele acredita em termos ideológicos e partidários.

E nessa perspectiva, anote leitor, mesmo você sendo de direita, liberal, ultradireita ou até mesmo odiando Ricardo Coutinho e João Azevêdo. O ex-metalúrgico não permitirá uma fragmentação das forças de esquerda na Paraíba. Motivo? A possibilidade de um “efeito cascata” surgir, sobretudo no Nordeste, região que lhe deu vitória sobre o então “capitão-mito”.

O ex-presidente Lula sabe que seu projeto em longo prazo reside nas eleições do próximo ano e, caso ele não consiga aglutinar forças políticas que lhes dê lastro, partidos de centro e centro-esquerda como o PSDB ganharão corpo, principalmente em regiões como o Sul e Sudeste. E isso é tudo que o chamado “lulismo” não quer e nem precisa.

Daí mais uma vez a Paraíba ser protagonista de importantes decisões políticas para o Brasil, havendo como caso mais emblemático o confronto entre perrepistas e liberais na década de 30.

Ele seria o estopim para a revolução comandada pelo caudilho Getúlio Vargas, culminando na morte de João Pessoa e, em seguida, na Revolução ocorrida naquele mesmo ano.

Agora é aguardar, pois águas vão rolar. Alalalaôôôô…!

Eliabe Castor
PB Agora

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